— E ontem à noite?
— Não deu tempo de falar. — Ela já estava atônita com as atitudes dele.
— A Princesa é muito boazinha. Ela gostou de você.
Mariana lançou-lhe um olhar desconfiado, como quem diz: "De onde você tirou isso?".
Enquanto ela resmungava mentalmente, Princesa voltou correndo, colocou no chão um tapete com botões sonoros que trazia na boca e apertou um deles com a pata.
Uma voz feminina robótica soou: "I LOVE YOU".
Mariana olhou para Arthur, surpresa. O homem parecia já prever aquilo.
— Eu disse que ela ia gostar de você.
Mariana não conseguiu se conter.
— Ela não faz isso com todo mundo que vem aqui, faz?
— A minha cachorra é igual a mim.
— Como assim?
— Exigente.
Sem esperar que Mariana processasse a resposta, Arthur olhou para a tigela de salada ao lado dela.
— Você só come comida leve no café da manhã? É um passarinho?
— ...Passarinhos não comem mato.
— Isso importa? Dá para encher a barriga com isso?
— Também tenho leite de aveia e torrada integral. Preciso manter o peso, a companhia de teatro exige. Quer que eu prepare algo para você?
— Que esposa prendada. — Arthur virou-se para Princesa. — Você também devia controlar o peso com a sua mãe. Olha como você está gorda, correu oito quilômetros e está babando de cansaço.
Princesa soltou um ganido e abaixou a cabeça, claramente insatisfeita com a ideia de fazer dieta.
Mariana ainda não conseguia decifrar o temperamento de Arthur.
— Hum, posso fazer uma pergunta indiscreta?
Arthur serviu-se de um copo de água gelada.
— Diga.
— Quando fomos apresentados, você disse que era pai solteiro. Onde está a criança?
— Não está aí no chão, com a tigela na boca, pedindo comida para você? Dá um pouco de mato para ela. — Após a fala de Arthur, Princesa parecia prestes a chorar.


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