Mariana nunca havia convivido com alguém com uma personalidade assim.
Na família Lemos, costumavam não falar durante as refeições. Ela tentou iniciar uma conversa.
— A dona Dora vai morar aqui? Digo, ficar 24 horas com a gente?
Arthur ergueu uma sobrancelha e gritou em direção à cozinha:
— Dona Dora, a partir de hoje, não suba para a área íntima no segundo andar depois das oito da noite.
Antes que Mariana pudesse explicar que não era por não gostar da presença da governanta, ele emendou:
— Tenho medo de que a senhora veja coisas que não são para a sua idade.
Mariana quase engasgou com o leite de amêndoas.
— Como você pode falar essas coisas para uma pessoa mais velha?
Vendo que as feições dela finalmente ganhavam vida, Arthur apoiou o queixo na mão e a provocou.
— Achei que você fosse querer ficar comigo 24 horas por dia. Só estou pedindo para a dona Dora te dar espaço para cometer o crime.
Mariana engoliu em seco.
— Fique tranquilo, a chance de isso acontecer é muito baixa.
Da cozinha, dona Dora respondeu com uma risada.
— Combinado.
Mariana tentou consertar a situação rapidamente.
— Dona Dora, ele está brincando com a senhora. Não dê ouvidos a ele.
Arthur a olhou com um sorriso de canto. Era um sorriso malicioso, com um toque de rebeldia.
Mariana abaixou a cabeça e continuou tomando seu mingau.
Quando terminaram de comer, um homem de terno e óculos entrou pela porta.
— Sr. Drummond, o carro já está na porta.
Arthur limpou a boca.
— Este é o meu assistente especial. Pode chamá-lo de Marcos.
Marcos olhou para Mariana.
— Bom dia, senhora.

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