O forte cheiro masculino que emanava dele a envolveu no mesmo instante.
— Sr. Sampaio, eu já terminei de comer...
Franciele levantou-se por instinto, na intenção de ir embora.
Mas Nelson a puxou pelo braço, prensando-a contra a mesa de jantar que estava atrás dela.
Pega totalmente desprevenida, Franciele arregalou os olhos ao ver o rosto bonito dele se aproximando rapidamente.
Ela pensou que ele fosse tentar beijá-la à força outra vez.
O rosto dela ficou vermelho como um tomate de repente.
Nelson baixou o olhar para encará-la:
— Só vou passar um remédio. Por que está corando?
Franciele congelou na hora.
O quê?
Ele só queria passar uma pomada, não beijá-la?
Por causa do próprio mal-entendido, o belo rosto de Franciele ficou ainda mais ruborizado.
Nelson tirou uma pomada da caixa, abriu a tampa, pegou um pouco do creme com a ponta dos dedos e se aproximou do rosto dela.
Franciele tentou se esquivar por reflexo.
Nelson agarrou o queixo dela, firmando-a no lugar.
— É para desinchar.
Disse ele, prestes a aplicar a pomada pessoalmente.
Franciele começou a se debater:
— Deixa que eu mesma passo.
Nelson prendeu as pernas dela com as suas, imobilizando-a com ainda mais força contra a mesa.
— Fique quieta! — Ele advertiu com a voz rouca.
Franciele imediatamente sentiu uma mudança no corpo dele...
Como aquele homem conseguia ter esse tipo de reação a ela repetidas vezes?
A postura em que estavam era extremamente ambígua e íntima.
Assustada, Franciele não ousou mover um único músculo.
Os longos dedos de Nelson já tocavam a bochecha vermelha e inchada dela.
Ele espalhou o creme com extrema suavidade.
Uma sensação de frescor agradável se espalhou por sua pele.
O efeito foi praticamente instantâneo.
Franciele sentiu logo em seguida que o lado do rosto onde havia levado o tapa de Eliana doía muito menos.
Nelson manteve a cabeça inclinada.
Por conta do movimento cuidadoso de aplicar a pomada, seu olhar estava extremamente concentrado.
Aquilo fez com que as bochechas de Franciele queimassem involuntariamente.
Nelson espalhou a pomada, mas não a soltou imediatamente.
E, de repente, perguntou:
— Quando pretende se divorciar?
A expressão de Franciele estremeceu.
Como se estivesse completamente despreparada para ouvir aquela pergunta vinda dele.
— O quê?
Nelson, olhando-a de cima para baixo, a encarou de modo penetrante e disse:
— A pessoa que Givaldo realmente gosta parece ser Eliana, não é? E você ainda pretende continuar casada com um homem assim?
Durante todo aquele tempo, ele já tinha chegado a uma conclusão.
Já que ela era a única mulher capaz de prender os seus pensamentos, então ela teria que ser dele.
De qualquer forma, ele já havia investigado a fundo e descobrira que o coração do tal marido, Givaldo, sequer pertencia a ela.
Aquele casamento de fachada, que só existia no papel, não tinha o menor sentido.
Era muito melhor que se divorciasse e ficasse com ele.
Franciele ficou sem palavras.
Seu rosto se contorceu em um profundo constrangimento.
Nunca imaginou que uma vergonha tão grande, como a de seu marido amar a própria irmã, chegaria aos ouvidos do chefe.

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