Pareciam ter esquecido havia muito tempo que ela existia.
O que aquilo tinha a ver com ela?
— Não podemos deixar de dar dinheiro de presente!
Givaldo enfatizou, puxando um cartão e entregando a ela:
— Esta é a minha parte. Quando chegar a hora, entregue tudo junto com a sua para sua mãe.
Essa foi a primeira vez, desde que se casaram, que Givaldo lhe deu dinheiro para algo.
Mas era tudo para que a irmã dela, Eliana, tivesse um casamento digno.
Afinal, Eliana estava se casando com alguém de uma família muito poderosa, entrando para a família Machado.
Se os presentes fossem modestos demais, a família do noivo poderia olhar torto.
Givaldo, ao contrário, estava bastante preocupado com a irmã dela.
— Amanhã vamos nos mudar para a casa da família Duarte para ajudar no que for preciso — disse Givaldo com entusiasmo e boa vontade.
Franciele não disse mais nada.
Apenas virou o rosto e continuou a lavar a roupa íntima.
Givaldo não fazia sequer questão de esconder a preocupação com a irmã dela.
Ela também não estava a fim de disfarçar.
Se Givaldo a visse lavando a cueca de outro homem, que visse.
No máximo, tudo ficaria claro de uma vez por todas.
Givaldo ainda passou algumas instruções sobre os preparativos do casamento de Eliana antes de finalmente sair.
Durante todo o tempo, ele ignorou completamente o que Franciele estava fazendo.
Como estava lavando a cueca com raiva contida, Franciele acabou, sem perceber, usando força demais.
Tanto que, só ao terminar de lavar, notou que a cueca de Nelson tinha um rasgo.
Desse jeito, definitivamente, ele não poderia mais usá-la.
A única solução seria comprar uma nova para compensá-lo.
...
Dois dias depois, era o casamento de Eliana.
A mansão da família Duarte estava movimentada e em festa desde cedo.
Todos exibiam sorrisos radiantes em seus rostos.
Os pais de Franklin e diversos parentes já estavam presentes.
Apenas o noivo continuava ausente.
Porém, Franciele conseguiu avistar Nelson, vestido formalmente, no meio daquele salão movimentado.
Hoje era o casamento de seu amigo de infância, então não era surpresa que ele estivesse lá.
Ele usava um terno preto impecavelmente cortado, que ressaltava sua postura alta, ereta e sua beleza incomparável.
Emanava uma aura de nobreza e arrogância inata.
Ainda que todos os convidados ali fossem ricos ou influentes, Nelson, apenas por estar de pé ali, destacava-se de longe por sua aparência e presença.
Naquele momento, Franciele estava ao lado da mãe e de Givaldo.
Nelson também estava cercado de pessoas que vinham tentar iniciar uma conversa com ele.
Como se pudesse sentir o olhar dela, a uma certa distância, Nelson virou a cabeça de repente em sua direção.
Sob a luz brilhante dos lustres de cristal, seus olhos negros eram profundos e insondáveis, impossíveis de decifrar.
O coração de Franciele deu um salto no peito.
Como ele tinha coragem de encará-la tão descaradamente? E se alguém percebesse?

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