— Já que não conseguiu chamar a minha atenção, resolveu se jogar no mar?
A frase completamente sem noção de Nelson, em questão de segundos, espantou todo o peso melancólico e sufocante que Franciele carregava no fundo da alma.
Segundos depois, ela não resistiu e acabou soltando uma risada.
Embora segundos antes estivesse muito triste e decepcionada.
— Sr. Sampaio, o que o senhor faz por aqui?
Recuperando o foco, Franciele indagou, cheia de espanto.
— Entra no carro!
Nelson ordenou subitamente.
Franciele hesitou, ficando paralisada ali mesmo.
Obviamente não era horário de trabalho agora, ela não tinha motivo nenhum para andar no carro do grande chefe.
Afinal, eles nem sequer eram íntimos na vida privada.
— O que foi? Se eu não ligar para você, vai mesmo fazer questão de pular nesse mar? — Nelson arqueou levemente as sobrancelhas charmosas.
— Eu não quero me jogar no mar e também não alimento intenções cobiçosas sobre o senhor, presidente. O Sr. Sampaio não tem que se preocupar comigo. — Franciele explicou-se.
O humor dela realmente estava no chão hoje; não tinha energia para interagir com ele.
Mas Nelson parecia mesmo convencido de que ela estava pensando em se jogar no mar.
— Andando à toa pela estrada na beira-mar, completamente sozinha a esta hora da noite... Se por acaso você despencar aí, não vou acabar tendo dor de cabeça por causa disso, vou?
— ...
— Nem pense em usar isso para se aproveitar de mim. Entra logo.
Sem aceitar recusas, Nelson praticamente a empurrou para dentro do banco de passageiro.
Provavelmente Franciele não tinha ideia da própria figura naquele momento.
Com os olhos avermelhados, os cabelos e o vestido todos amarrotados pela ventania, ela mais parecia uma criança que tinha acabado de apanhar e não sabia a quem recorrer.
Dava dó, tamanha a sua vulnerabilidade.
E isso curiosamente gerou em Nelson uma dose inesperada de pena.
Ele sentiu que só podia estar enlouquecendo.
Desde quando ele havia se tornado o tipo de cara intrometido?
Até com os subordinados que o serviam há incontáveis anos ele raramente mostrava interesse pela vida pessoal.
Como é que cruzar com ela sozinha na rua o fizera inexplicavelmente ter compaixão?
A ponto de até engatar a ré para buscá-la?
Franciele sentiu um olhar opressivo que carregava uma forte presença pairando constantemente sobre si.
Isso causava nela uma pressão invisível.
Por sorte, Nelson também não fez questão de investigar e fofocar sobre a vida dela.
Ele esperou mais alguns instantes e, constatando que Franciele realmente não desabaria a chorar, pisou no fundo do acelerador e colocou o veículo de luxo em movimento.
Exatamente no mesmo instante, o céu desabou em chuva.
E a precipitação se tornou cada vez mais tempestuosa.
O carro de luxo avançava veloz pela ampla rodovia, marcando uma velocidade muito elevada.
Temendo que a pista estivesse derrapante devido à chuva e que a alta velocidade pudesse gerar um acidente, Franciele agiu.
Bem quando ia abrir a boca para pedir que ele dirigisse mais devagar, houve um tranco brusco.
O carro de luxo simplesmente travou e parou de repente.
A cabeça de Franciele quase foi atirada contra a janela de vidro.
Com os olhos cheios de confusão, ela virou o rosto para as feições esculpidas do homem ao seu lado:
— O que houve?
— Vou descer para dar uma olhada!
Sem pensar duas vezes, Nelson abriu a porta do carro e saltou para fora.
Franciele ficou ali observando a tempestade castigando lá fora, e logo depois fitou a figura do homem diante do para-brisa, que já estava de capô levantado.

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