Franciele estreitou os olhos:
— Que coisa que não devia?
Givaldo calculou cuidadosamente as palavras:
— Eu realmente exagerei na bebida ontem. Se, no meio da bebedeira, eu acabei mencionando o nome de alguém, não leve isso a sério, considere apenas como uma bobagem de bêbado.
Franciele soltou uma risada amarga por dentro.
Afinal, era bobagem de bêbado ou a verdade nua e crua saindo pelo álcool?
Franciele respondeu de forma plácida:
— Eu sei.
Givaldo a observou minuciosamente em busca de reações.
De fato, não conseguiu ver o menor traço de raiva nela.
Teria ele se preocupado à toa?
Será que ele realmente não tinha falado demais sob efeito do álcool ontem à noite?
— Que bom, então!
Ele finalmente soltou um suspiro de alívio.
Originalmente, Franciele não queria dar mais atenção a ele.
Mas, como ele havia mencionado agora há pouco que amanhã seria fim de semana, ela virou o rosto e avisou:
— Amanhã vou visitar minha mãe na casa da família Duarte. Você vem comigo?
Desde que ela se casara com Givaldo há um ano, ele a acompanhava fielmente em suas visitas à família Duarte todos os fins de semana, sem interrupções.
Franciele esperava que este fim de semana não fosse exceção.
Porém, Givaldo pensou por um segundo e, com o olhar subitamente frio, declarou:
— Amanhã preciso fazer hora extra.
— Hora extra?
As delicadas sobrancelhas de Franciele se juntaram.
Aquelas visitas de fim de semana à família Duarte já tinham virado rotina no casamento deles. Ela nunca tinha ouvido falar em hora extra antes.
Por que logo neste fim de semana?
— Você não acabou de dizer que amanhã me levaria para comer o que eu quisesse? — ela não conseguiu se conter e questionou.
A voz de Givaldo soou gélida de repente, desprovida de qualquer calor humano:
— Eu tinha me esquecido!
Ele voltou à sua habitual postura de distanciamento e frieza.
Desde o momento em que viu Franciele, o único assunto na boca dela era o casamento de Eliana.
— Sua irmã se casa no mês que vem. O que você acha que devemos preparar de presente de casamento para ela?
O rosto de Franciele paralisou sutilmente.
Quando foi a sua vez de casar, a matriarca Viviana jamais pensou em presenteá-la com qualquer coisa.
Por que então sua mãe estava tão dedicada agora que sua meia-irmã, Eliana, estava para casar?
Mafalda abriu sua caixa de joias:
— Eu tenho muito poucas joias, não há nada que seja realmente impressionante! Que tal oferecermos este bracelete antigo de esmeralda?
Franciele ficou pasma:
— Esse bracelete não foi a herança que a vovó deixou para a senhora?
Pelo fato de ser a segunda mulher, Mafalda sempre foi marginalizada e nunca teve prestígio dentro da família Duarte.
Na época, se não fosse pelo fato de ter dado à luz o filho Edson, Joaquim jamais a teria aceitado em casa e dado um status familiar oficial.
Mesmo com isso, todos esses anos Mafalda pisava em ovos na família Duarte, sempre atenta ao humor da esposa principal, Viviana Ferreira. Ela não ousava lutar por nada e passava a vida tecendo elogios para agradar Viviana, tratando a filha dela como se fosse sua própria.
Viviana sempre gastou dinheiro sem cerimônia. Nunca hesitava em comprar peças luxuosas para si mesma ou para Eliana.
Por outro lado, Franciele e sua mãe Mafalda nunca tiveram sequer uma única joia decente para usar.

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