— Se não estava pensando em nada, por que não parava de olhar para mim durante a reunião?
Os olhos profundos de Nelson a fitavam com uma intensidade cortante:
— Por acaso estava com segundas intenções?
O coração de Franciele deu um salto no peito.
Ela balançou a cabeça freneticamente:
— Como eu... como eu ousaria?
A voz dela soou carregada de culpa.
A verdade é que ela já cobiçava o corpo dele há muito tempo.
Mas preferia morrer a admitir isso.
Nelson de repente se inclinou em sua direção, apoiando as duas mãos nas bordas da mesa atrás dela.
— Não ousaria? Acho que você é bem ousada. Teve a coragem de me provocar abertamente na sala de reuniões, na frente de tantas pessoas?
Franciele virou o rosto, incapaz de sustentar aquele olhar frio e penetrante.
Ela se defendeu por instinto:
— Presidente, eu... eu realmente não fiz isso...
Nelson a desmascarou sem piedade:
— Se não fez, por que está tão corada? A consciência pesou?
Ele a mantinha presa naquele pequeno espaço.
A mesa da sala de reuniões era dura e fria, e o corpo de Franciele recuou instintivamente, apoiando as mãos na superfície e tentando desesperadamente se afastar.
Queria apenas manter uma distância segura dele.
Mas, para cada milímetro que ela recuava, ele avançava.
Até que não houvesse mais para onde fugir. Os corpos dos dois ficaram completamente colados, quase sem espaço entre eles.
Naquele instante, Franciele sentiu como se tivesse sido atingida por um raio.
Ficou completamente paralisada.
Aquela crise estava prestes a voltar, e o presidente ainda estava colado ao corpo dela...
Ela realmente sentia que ia perder o controle!
— Eu... eu juro que não, Sr. Sampaio. O senhor poderia me soltar primeiro?
Franciele avisou, apavorada e ansiosa.
Nelson baixou o olhar, observando profundamente o estado em que ela se encontrava.
Era evidente que ela não estava mais aguentando, mas continuava negando.
Mesmo assim, o olhar turvo e as bochechas coradas dela eram uma tentação perigosa.
O corpo dele esquentou na mesma hora.
A reação instintiva foi muito direta.
— Tem certeza de que quer que eu a solte, em vez de ficar comigo? — perguntou Nelson, com a voz rouca e áspera.
Ao ter seus pensamentos íntimos expostos, a expressão reprimida de Franciele transformou-se em choque instantâneo.
O pomo de adão de Nelson se moveu, e ele se inclinou levemente.
A mente de Franciele deu um branco repentino.
O coração disparou acelerado.
Bem naquele momento, alguém abriu a porta da sala de reuniões.
Uma voz se misturou rapidamente ao clima denso e inebriante do ambiente:
— Sr. Sampaio, o Sr. Prudente da Verde & Ouro Asset chegou...
Um lampejo rápido de irritação cruzou o olhar de Nelson.
Ele a soltou, endireitou a postura e lançou um olhar mortal e severo para a pessoa na porta que havia interrompido o seu momento.
Myron Esteves ficou petrificado no lugar, completamente perplexo.
Ele era o antigo assistente de Nelson, recém-transferido de volta do exterior.
Não imaginava que, logo em seu primeiro dia de trabalho, flagraria uma cena daquelas do próprio chefe.
Ficou paralisado por um instante.
— O que está esperando para sair daqui?
Nelson esbravejou, furioso.
Myron voltou a si rapidamente e se retirou, constrangido.
O grito de Nelson também deu um susto em Franciele.

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