Nelson sentiu uma irritação indescritível tomar conta de si.
Diziam que o álcool estragava as coisas, e era a mais pura verdade.
Ele quase havia forçado Franciele a dormir com ele.
Ou pior, quase a havia violentado.
— Eu não ia...
Ele abriu os lábios, tentando se explicar.
Franciele, com o rosto vermelho de vergonha, o fuzilou com o olhar:
— Não ia o quê? Não ia se aproveitar de mim?
Nelson puxou um lenço de papel e o estendeu para ela:
— Mas eu não cheguei a fazer nada, cheguei?
Franciele retrucou, furiosa:
— Você ainda queria me forçar?
Nelson encolheu os ombros, sem graça:
— Não foi isso que eu quis dizer...
Tentando controlar a raiva, Franciele rebateu:
— Então o que você quis dizer?
Nelson suspirou, sentindo-se culpado:
— Eu bebi demais esta noite. Entrei no quarto errado...
Franciele soltou uma risada fria, cheia de desconfiança:
— E só porque entrou no quarto errado, acha que pode fazer o que quiser comigo?
Nelson assumiu uma postura séria:
— Eu vou assumir a responsabilidade por você!
Franciele ficou atônita.
Jamais esperava ouvir a palavra "responsabilidade" saindo da boca dele.
— Não precisa. De qualquer forma, não seria a primeira vez.
Ela não queria se envolver ainda mais com ele.
Queria apenas pagar a dívida que tinha com ele desde a última vez, dormir com ele de uma vez por todas, e assim ficariam quites.
Nelson sentiu um aperto no peito.
Não esperava que, ao se oferecer para assumir a responsabilidade.
Ela o rejeitaria mais uma vez.
— Não importa se é a primeira vez ou não. Eu quase... O certo é eu assumir a responsabilidade — insistiu Nelson, firme.
Afinal, não era fácil encontrar uma mulher que despertasse seu desejo daquela forma, e ele não desistiria tão fácil.
— Já disse que não precisa. Volte para o seu quarto e me deixe em paz.
Franciele virou as costas, aborrecida, expulsando-o dali.
Ela não queria sequer olhar para a cara dele naquele momento.

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