Givaldo percebeu vagamente que Franciele parecia ter mudado.
Mas, naquele momento, não sabia dizer exatamente o que estava diferente nela.
Talvez ela já não estivesse tão apaixonada por ele quanto antes.
De qualquer forma, ele sempre desprezou os sentimentos de uma filha fora do casamento como ela.
Seu único desejo sempre foi se casar com a verdadeira herdeira da família Duarte: Eliana.
Agora que Franciele estava disposta a libertá-lo e já não o amava mais, não era exatamente isso que ele queria?
Então por que sentia aquele vazio inexplicável no peito?
Givaldo reprimiu à força aquela sensação estranha e franziu a testa.
— Se você quer mesmo se divorciar de mim, por que cancelou meus cartões do nada essa noite? O que você está querendo?
Franciele respondeu friamente:
— Não estou querendo nada. Só espero que você e a minha irmã, mesmo que estejam tendo um caso, não ajam de forma tão descarada. Afinal, nós ainda não nos divorciamos. Você desfila com ela numa loja de roupas e tenta bancá-la como se fosse milionário... Não tem medo de alguém fotografar vocês e você não conseguir dar explicações para as famílias Duarte e Cordeiro?
Afinal, quem tinha formalizado o casamento entre as famílias Duarte e Cordeiro era ela, e não Eliana.
As aparições públicas de Eliana e Givaldo, tão espalhafatosas, não eram apenas uma humilhação para ela, mas também um tapa na cara das famílias Duarte e Cordeiro.
E, se isso acabasse irritando a família Machado, atual família do marido de Eliana, as consequências seriam ainda piores.
Do outro lado da linha, Givaldo ficou em silêncio.
Claro que ele sabia que, antes de assumir oficialmente a herança da família Cordeiro, seu caso com Eliana não podia vir a público de jeito nenhum.
Especialmente diante dos chefes das duas famílias.
Caso contrário, tanto ele quanto Eliana sairiam prejudicados.
Ele jamais imaginou que, ao acompanhar Eliana naquela loja, acabaria sendo flagrado por Franciele.
O olhar de Givaldo ficou subitamente sombrio e cruel.
— Como você descobriu? Contratou um detetive particular para me seguir?
Um sorriso de escárnio surgiu nos lábios de Franciele.
— Você se acha importante demais. Eu não tenho tempo nem dinheiro sobrando para contratar detetive e investigar vocês. Mas, como diz o ditado, mentira tem perna curta. Vocês andam por aí com tanta falta de noção que era só uma questão de tempo até alguém descobrir.
Givaldo ficou em silêncio de novo.
Então perguntou:
— Então você está com inveja? Morrendo de ciúme?

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