No caminho de volta,
Franciele permaneceu em silêncio.
A imagem do olhar reprovador do pai continuava martelando em sua cabeça.
Desde pequena, ele nunca a tinha olhado com carinho.
Ela já estava mais do que acostumada.
E já não nutria mais a esperança de ser amada por ele como outras filhas são por seus pais.
Mesmo assim, o desgosto estampado no olhar dele naquela noite ainda conseguia machucá-la.
O que ela tinha feito de tão errado dessa vez
para despertar tamanha aversão no próprio pai?
Franciele estava tão mergulhada nos próprios pensamentos que nem percebeu que o trajeto feito pelo motorista não era o que levava até sua casa.
Quando o carro finalmente parou, ela olhou pela janela.
Eles estavam em frente à mansão de Nelson?
— Desça.
Antes que pudesse reagir, Nelson a puxou para fora do veículo.
— Ei, por que... você me trouxe para a sua casa? — perguntou Franciele, perplexa, com passos hesitantes.
Mas ela nem teve tempo de resistir. Nelson a ergueu nos braços e a carregou para dentro.
A casa estava escura, com todas as luzes apagadas.
Assim que cruzaram a porta, Nelson a prensou contra a parede e abaixou o rosto, cobrindo os lábios dela com beijos urgentes.
— Não...
Franciele não correspondeu. Em vez disso, empurrou o peito dele.
Virou o rosto para escapar dos lábios dele.
— Espera...
— Eu não posso mais esperar... — Nelson respirava pesado. Tomado pela urgência, sua mão deslizou e ergueu o vestido dela.
Ele já estava se segurando havia tempo demais. Não queria adiar aquilo nem por mais um segundo.
Franciele bateu com força nas costas dele.
— Eu só concordei em te acompanhar no jantar. Não aceitei vir para a sua casa, muito menos fazer esse tipo de coisa...
protestou ela, com indignação e vergonha misturadas no rosto.
O impulso de Nelson diminuiu por um instante, e ele ergueu lentamente o rosto do pescoço dela.
Aqueles olhos negros e profundos a encararam.
— Esqueceu do nosso acordo de três dias?

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