Por que ainda insistia em alimentar falsas esperanças em relação a Mafalda?
Franciele não foi embora do hospital imediatamente. Caminhou até o quarto da melhor amiga, Paula.
Paula já estava bem melhor, embora visivelmente mais magra.
O médico disse que ela receberia alta na semana seguinte.
Mas ainda precisaria repousar em casa antes de voltar ao trabalho.
Franciele não comentou nada sobre o que tinha acontecido com a mãe, porque não queria preocupar a amiga.
Só de conversar um pouco com Paula, o peso em seu peito já diminuiu bastante.
Talvez, nesta vida, ela estivesse destinada a não ter laços familiares.
...
Ao sair do hospital, Franciele caminhava sozinha e em silêncio pela calçada.
O carro de luxo de Nelson a seguia lentamente por trás.
— Chefe...
O motorista segurava o volante, aguardando ordens de Nelson, que estava no banco de trás.
— Siga ela.
Ordenou Nelson.
Em seus olhos escuros e profundos havia uma complexidade indecifrável.
O motorista obedeceu, dirigindo bem devagar, sempre atrás de Franciele.
Nelson franziu a testa.
Seu olhar permanecia fixo naquela silhueta magra à frente.
Ele e Franciele tinham levado Mafalda ao hospital juntos.
Depois, ela ficou no quarto cuidando da mãe.
Ele saiu para resolver alguns assuntos da empresa, mas logo voltou.
Nesse meio-tempo, mandou investigar a relação entre Franciele e Mafalda.
Descobriu que, por muitos anos, Franciele jamais havia provado do verdadeiro amor materno.
A preferida sempre fora Eliana.
Foi Franciele quem implorou para que ele salvasse a mãe.
Mas Mafalda não demonstrou nem um pingo de gratidão pela própria filha.
Ao contrário, só sabia chamar por Eliana, justamente a mesma Eliana que quase tinha causado sua morte.
Nelson não pôde evitar sentir pena de Franciele.
Uma mãe dessas nem merecia ser chamada assim.
E, ainda assim, ela sofria por causa disso.
Ficava evidente o quanto ela ainda valorizava esse vínculo.
Mas havia pessoas que simplesmente não valiam a pena.
...
Suas lágrimas já tinham secado.
Mas um frio implacável parecia emanar do fundo da sua alma, deixando-a paralisada.
Seu corpo inteiro estava rígido.
Então Nelson também se sentou no banco.
No mesmo banco, nem tão perto, nem tão longe, exatamente na medida certa.
Perto o bastante para que ambos sentissem a respiração um do outro.
Franciele finalmente percebeu que era Nelson.
Mas estava cansada demais, sonolenta demais.
O homem ao seu lado parecia emanar uma sensação silenciosa de segurança.
Ao saber que era ele, ela finalmente conseguiu fechar os olhos em paz.
Não se sabe quanto tempo passou, mas, quando Nelson virou o rosto para olhá-la, Franciele já tinha adormecido.
Num sono profundo e pesado.
Os olhos fechados, os longos cílios projetando sombras delicadas sobre as maçãs do rosto.
Seu peito subia e descia levemente ao ritmo da respiração.
Nelson ficou apenas olhando para ela, enquanto aquele sentimento estranho em seu peito ficava cada vez mais forte.
Como se uma fera dentro dele estivesse implorando para se aproximar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Meu Ex Era Frio, Eu Casei de Novo