O rosto de Franciele mudou de cor com o choque.
Ela jamais imaginara que já estivesse correndo um perigo tão grande.
Cerrando os punhos discretamente, tentou reprimir o pânico que crescia dentro de si.
— Mesmo assim, eu não posso simplesmente ignorar a Paula!
— Você mal consegue se proteger sozinha agora, quanto mais se preocupar com os outros.
Nelson franziu a testa.
— Já parou para pensar que, no momento em que aparecer no hospital, a pessoa que tentou atropelar você ontem pode terminar o serviço? Se isso acontecer, todo o sacrifício da sua amiga terá sido em vão.
Franciele engoliu em seco.
— Eu...
Se os criminosos realmente queriam matá-la, aparecer por aí seria praticamente se colocar nas mãos deles.
— No máximo, eu chamo a polícia!
Franciele o encarou por um longo momento e, de repente, teve uma ideia.
Nelson soltou uma risada de deboche.
— Chamar a polícia? E por que você acha que a polícia iria intervir?
Franciele respondeu:
— O carro de ontem tentou me atropelar. Com certeza as câmeras de segurança da rua registraram tudo...
Nelson lançou-lhe um olhar profundo.
— O lugar onde aconteceu o acidente ontem não tem câmeras de segurança.
Franciele sentiu um choque instantâneo.
Sem câmeras?
Então isso queria dizer que não havia prova nenhuma?
Como a polícia acreditaria que alguém tentou matá-la?
Ela rapidamente entendeu toda a lógica da situação.
— O Sr. Veloso já sabia que eu o estava seguindo, por isso me atraiu de propósito para aquela rua. Na verdade, já havia alguém escondido ali, esperando a chance de me matar.
Desde que ela morresse, as provas desapareceriam com ela.
E a culpa pelo vazamento do projeto BC cairia de vez sobre seus ombros.
Nelson ergueu uma sobrancelha, com um ar de aprovação.
— Parece que você não é tão tola assim.
— Vou providenciar enfermeiros de confiança para cuidar da sua amiga e também chamar os melhores médicos para tratá-la. Se não quiser que o sacrifício dela tenha sido em vão, é melhor fazer o que eu digo.
Por incrível que pareça, Franciele não tinha argumentos para contradizê-lo.
Será que realmente precisaria morar na casa dele por um tempo?
Mas os dois vivendo sozinhos sob o mesmo teto... o que isso significava?
Franciele hesitou por um longo instante antes de finalmente dizer:
— Para colaborar com você e esclarecermos isso, provar minha inocência e garantir que o sacrifício da Paula não tenha sido em vão, eu posso ficar temporariamente na sua casa. Mas você vai ter que preparar um quarto de hóspedes para mim e precisa prometer que não vai se aproveitar de mim...
Nelson olhou para ela com uma expressão maliciosa.
— Se aproveitar de você?
As bochechas de Franciele coraram na hora, e ela o encarou com os olhos arregalados de timidez e irritação.
Aquele homem estava claramente se fazendo de desentendido.
— Eu prometo. Mas, por enquanto, fique aqui comigo.
Assim que terminou de falar, Nelson a puxou pelos braços, e os dois caíram novamente sobre os lençóis da cama.
Sem que Franciele percebesse, o rosto dele exibia um sorriso vitorioso.

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