— Nelson!
Filomena entrou sorrindo ao cumprimentá-lo.
Mas logo seus passos pararam.
Ao ver Franciele no sofá, arregalou levemente os olhos, surpresa:
— Franciele? O que você está fazendo aqui?
Franciele respondeu com seriedade:
— O Sr. Sampaio me chamou para tratar de assuntos de trabalho.
Filomena pareceu um pouco sem graça:
— Será que eu atrapalhei vocês?
— Não! — Franciele balançou a cabeça rapidamente. — O Sr. Sampaio já terminou de me passar as orientações. Eu já estava de saída.
Era a desculpa perfeita para escapar dali.
No instante em que a porta do escritório se fechou atrás dela, o rosto bonito de Nelson escureceu.
Aquela mulher fugia rápido demais.
Ele voltou os olhos frios para Filomena:
— O que você veio fazer aqui?
O tom era tão distante que deixava claro o quanto ela não era bem-vinda.
Filomena forçou um sorriso:
— Vim te convidar para jantar. Sua mãe me disse que você estaria livre hoje à noite.
Com medo de levar um “não”, tratou de usar a mãe dele como desculpa.
O que ela não sabia era que aquilo só despertava ainda mais a aversão de Nelson.
— Ela se enganou. Eu não tenho tempo. — respondeu ele, com frieza.
— Mas...
Filomena ainda tentou insistir.
Nelson a interrompeu sem paciência:
— Tenho coisas para fazer. Você já pode ir.
Filomena engoliu em seco.
E saiu, cabisbaixa.
...
De volta ao seu escritório, Franciele abriu a proposta do projeto BC que Nelson lhe entregara.
Aquele era o primeiro projeto de semicondutores da empresa em parceria com a Europa.
Todos internamente davam enorme importância àquilo.
Ela se lembrou de que Nelson dissera que, na semana seguinte, ela o acompanharia à Alemanha para assinar o contrato.
Provavelmente queria envolvê-la diretamente no projeto.
Franciele sabia que precisava agarrar aquela oportunidade com unhas e dentes para crescer profissionalmente.
De repente, alguém bateu à porta.
— Entre!
...
À noite.
Franciele e Filomena se encontraram em um restaurante exclusivo para membros.
Estavam em uma sala privativa ampla e elegante.
Filomena pediu ao gerente que servisse os pratos mais famosos da casa.
— Na verdade, nós duas não vamos conseguir comer tudo isso. — Franciele acabou observando, tentando evitar desperdício.
Filomena fez um gesto despreocupado com a mão:
— Já que eu estou pagando hoje, é claro que quero te oferecer o melhor.
Franciele deu um sorriso sem graça:
— Srta. Macedo... se quiser, pode ir direto ao ponto.
Filomena ergueu uma sobrancelha:
— Você percebeu? Não sabia que você era tão esperta. Pois é, hoje eu realmente preciso de um favor seu.
Franciele respondeu com humildade:
— O que a senhora precisar, é só dizer. Não precisa chamar de favor.
Filomena colocou um pouco de comida no prato dela, inclinou-se e sussurrou:
— Eu quero que você me ajude a conquistar o Nelson.
Franciele, que acabara de tomar um gole de suco, quase se engasgou.
Conquistar o Nelson?

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