Franciele desligou o telefone e se preparava para ir embora.
— Franciele, o chefe já tomou os remédios? — perguntou Myron, aproximando-se ao vê-la.
Franciele balançou a cabeça por instinto:
— Ainda não...
Myron ia dizer mais alguma coisa, mas Franciele o interrompeu:
— Mas ele já tem quem cuide dele agora, então eu vou indo...
Aquela mulher linda e elegante que acabara de entrar no quarto dele claramente tinha muita intimidade com Nelson.
Ele já não devia mais precisar dela àquela altura.
— Ei, Franciele...
Antes que Myron pudesse perguntar o que havia acontecido, Franciele já tinha dado as costas e ido embora.
...
Na suíte VIP do hospital.
Loreta terminou de refazer o curativo de Nelson.
— Você já investigou isso? O que aconteceu de verdade? Você acha mesmo que se machucar dessa vez foi apenas um acidente?
Ela não acreditava em coincidências daquele tipo.
Nelson tinha acabado de ir inspecionar a obra, e bem na hora algo caiu lá de cima e o atingiu.
Será que ninguém fazia inspeção de segurança antes de uma coisa dessas?
— Não foi acidente, foi sabotagem. — Nelson olhou para a Loreta, e seu rosto assumiu uma expressão repentinamente pesada.
— Quem? — O coração de Loreta deu um salto.
— Marcos. — Nelson não pretendia esconder nada dela.
Loreta franziu a testa no mesmo instante.
Rangeu os dentes, tomada pela raiva:
— Eu sabia que tinha o dedo dele nisso. Ele simplesmente não quer largar o comando da família Sampaio. Quer continuar controlando o Grupo Sampaio para sempre.
Anteriormente, quando o pai deles, Rafael Sampaio, sofrera um grave acidente de carro, Nelson estava no exterior e não pôde voltar.
Foi por isso que o conselho de administração entregou temporariamente o Grupo Sampaio nas mãos de Marcos Sampaio.
Mas o pai acabou nunca mais se recuperando, e Marcos aproveitou a brecha para reunir aliados e tomar conta do Grupo Sampaio.
Só que Loreta jamais imaginara que Marcos chegaria ao ponto de querer matar Nelson.
— No fim das contas, todos somos da família Sampaio. Como o Marcos pode ser tão cruel? Não, eu preciso contar isso para a vovó. — Loreta disse, ansiosa, incapaz de engolir aquela afronta.
— A vovó já tem uma certa idade e já sofreu o suficiente com o que aconteceu com o papai. Não a envolva nisso por enquanto. — Nelson a conteve.
Então era por isso que ele tinha feito questão de esperá-la em casa: apenas para interrogá-la.
— E se eu tiver batido? Ela...
Não era como se Eliana nunca a tivesse agredido.
Por que, quando Eliana a maltratava, ele nunca tomava as dores dela?
Bastou ela dar um tapa em Eliana para Givaldo vir tirar satisfação.
Afinal, qual das duas era a esposa dele?
Antes que terminasse de falar, Givaldo agarrou seu braço com força.
Houve um baque surdo.
Ele a prensou contra a parede.
A força que usou foi algo inédito.
Franciele precisou de um tempo para se recuperar da dor.
Quando ergueu os olhos, viu o rosto bonito do marido coberto de uma fúria contida.
Desde que haviam se casado, Givaldo sempre fora extremamente apático com ela.
Na rotina deles, ele sequer se dava ao trabalho de lhe dirigir a palavra.

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