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Meu Ex Era Frio, Eu Casei de Novo romance Capítulo 114

Um rubor intenso subiu rapidamente às bochechas de Franciele.

Seu coração começou a bater mais forte de nervoso.

Ela respirou fundo várias vezes, tentando controlar as emoções.

Reuniu coragem e caminhou em direção à cama de Nelson.

Mas, no instante em que o viu, parou por reflexo e quase virou as costas.

Se não fosse por obrigação profissional, ela realmente não queria vê-lo de novo.

A lembrança daquela noite, em que, sob efeito da droga, implorara para que ele fosse o remédio para o seu tormento, era o momento mais vergonhoso de toda a sua vida.

Mas ela já estava ali.

Não seria certo simplesmente dar meia-volta agora.

Além disso, ela tinha mesmo a intenção de procurá-lo naquele dia para agradecê-lo pessoalmente por ter ajudado Edson.

Apertando os dentes, Franciele se virou de novo e olhou para Nelson, deitado na cama.

Ele estava recostado, lendo um documento.

Sobre o nariz reto e elegante, usava óculos de armação fina dourada.

Seus cabelos negros, normalmente penteados para trás com perfeição, estavam levemente bagunçados.

Ele exalava uma aura de nobreza distante.

Franciele permaneceu de pé, com os olhos presos às bandagens brancas enroladas em sua cabeça e em seu braço.

Havia manchas de sangue escuro atravessando os curativos.

Aquela visão apertou seu coração involuntariamente.

Por causa dos ferimentos no braço e no ombro, devia ser desconfortável para ele usar a roupa do hospital.

Naquele momento, Nelson estava com o peito nu, recostado na cama, coberto apenas de forma displicente pelo lençol.

Franciele não sabia se devia se aproximar ou recuar.

Acabou ficando imóvel, travada no mesmo lugar.

Diante daquela cena ao mesmo tempo preocupante e absurdamente sensual, sentiu uma mistura de ansiedade e vergonha.

Seus olhos bonitos piscavam sem parar.

Seu instinto a impedia de olhar diretamente para o homem semidesnudo.

Mesmo assim, pelo canto do olho, ainda captava o peitoral firme e as linhas definidas do corpo dele...

Franciele não conseguiu evitar engolir em seco.

Meu Deus. O universo precisava mesmo testá-la daquele jeito?

Se continuasse assim, ela acabaria tendo um colapso.

Franciele fechou os olhos e estava prestes a se virar para ir embora quando a voz de Nelson soou atrás dela:

— O que faz aqui?

As palavras que estavam para sair morreram na garganta.

Deixa pra lá.

Levando em conta que ele estava machucado e ainda sangrava, ela seria a parte madura e não criaria mais caso.

— Seus ferimentos... ainda doem?

Ela tomou a iniciativa de se aproximar e perguntar.

Os olhos escuros de Nelson pousaram nela:

— Você está preocupada comigo?

Atrás dele, a enorme janela do quarto deixava entrar a luz do sol, que se refletia nas lentes dos óculos e tornava o olhar dele ainda mais profundo.

Franciele o encarou, paralisada.

— ...

Era a primeira vez que o via de óculos.

Embora aquilo não combinasse totalmente com sua aura habitual, ela precisava admitir que ele continuava extremamente bonito.

Os óculos suavizavam um pouco a dureza de seus traços e diminuíam a opressão natural que ele costumava transmitir.

Sem perceber, Franciele ficou presa ao olhar dele.

Como se tivesse caído num universo sem fim escondido nos olhos daquele homem, sem conseguir sair dali por um longo momento.

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