Ele ergueu levemente o queixo dela:
— Então quer dizer que você aceita?
O mal-estar devorava o corpo inteiro de Franciele, como se milhares de formigas estivessem rastejando por dentro dela.
Recusar não era uma opção.
O único problema era que ela realmente não tinha como pagar quinhentos mil de uma vez.
— Dá para parcelar? — perguntou, tentando controlar os tremores do próprio corpo.
Nelson a encarou profundamente:
— Eu quero, no mínimo, cinquenta mil de entrada.
Franciele ficou sem palavras.
Entrada? Ela estava comprando um apartamento por acaso?
Era só uma noite.
Aquele homem estava claramente abusando.
Explorando sem dó a reserva suada da própria assistente.
Mas ela não via saída. Mesmo sendo um roubo, teria que aceitar.
— Fechado.
Cedeu Franciele, cerrando os dentes.
Um brilho sombrio passou pelos olhos de Nelson.
Ele a empurrou de volta contra os lençóis.
Apoiou os joelhos na beira da cama, pairando sobre ela, e aproximou o rosto da expressão aflita da mulher.
As respirações dos dois se misturaram, espalhando calor por todo o espaço.
Franciele enlaçou o pescoço dele, ansiosa para beijá-lo.
Mas foi impedida por uma mão firme.
— Paga primeiro.
Franciele congelou por dois segundos.
Quase cuspiu sangue de indignação.
Aquela altura, ele ainda precisava falar de dinheiro?
Ainda por cima, não era como se dinheiro fizesse falta para ele.
— Não pode deixar isso para depois? — Os olhos de Franciele estavam vermelhos; ela já estava no limite.
Nelson a fitou:
— E se depois você resolver dar o calote?
Franciele:
— ...
Sem lhe dar tempo de reagir, ele pegou o celular dela, abriu o aplicativo do banco e digitou o valor de cinquenta mil.
Loreta entrou carregando sua maleta médica.
Com a voz rouca e carregada de impotência, Nelson respondeu:
— Se você demorasse mais um minuto, seu irmão mais novo teria que se vender.
Loreta lançou um olhar fulminante para ele:
— Grande novidade! Como se alguém conseguisse obrigar você a fazer isso.
Ela voou até o hotel assim que recebeu a ligação de socorro.
Estava extremamente curiosa para saber que mulher, dopada daquele jeito, tinha levado seu irmão a pedir ajuda médica com tanta pressa.
Rapidamente, Nelson a levou até o quarto onde Franciele estava.
Loreta se aproximou e examinou seu estado físico.
Naquela altura, Franciele já tinha perdido totalmente o controle sobre si por causa da droga.
Loreta tirou uma seringa já preparada e aplicou uma injeção nela.
— Não sei exatamente o que deram para ela, mas a dose parece alta. Essa medicação não vai fazer efeito na hora. Acho que ela vai dormir profundamente até amanhã cedo e vai acordar totalmente bem.
Depois de dar as orientações, Loreta fechou a maleta.
— Entendi.
Nelson assentiu e se sentou no sofá ao lado da cama.
Ao ver a postura de Nelson, Loreta deduziu que ele passaria o resto da noite ali, cuidando dela.

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