O médico hesitou, lançando um olhar cauteloso para Uriel.
— Pode falar com franqueza — Uriel encorajou, a voz firme.
O especialista suspirou pesadamente. — O chip está em uma área extremamente delicada. Os riscos da cirurgia são altíssimos; vocês precisam estar preparados para o pior cenário.
Quando deixaram o hospital, os olhos de Bruna já estavam vermelhos de tanto segurar o choro.
Uriel, no entanto, não demonstrou nenhum sinal de abalo. Em vez disso, puxou a esposa para perto, tentando confortá-la.
— É um procedimento arriscado, mas não impossível. Fique tranquila, meu bem. Nada de ruim vai me acontecer.
Ela virou o rosto para encará-lo, e as lágrimas finalmente transbordaram, escorrendo por suas bochechas.
Encarou-o com a voz embargada, porém com um brilho de determinação feroz no olhar.
— Eu não vou deixar que nada aconteça com você.
Por um instante, o homem não soube se deveria continuar a acalmá-la ou apenas agradecer.
Deu um passo à frente e a envolveu em um abraço protetor, afagando suavemente seus cabelos.
— Não se preocupe, eu tenho uma sorte infinita.
Pelo que havia descoberto sobre seu próprio passado, sobrevivera a um terrível acidente de carro e a uma explosão no País D.
Era apenas uma cirurgia; ele certamente não morreria por causa disso.
Bruna secou as lágrimas contra o peito dele e endireitou a postura, buscando seus olhos.
— Vamos para casa.
Ela estava prestes a caminhar quando Uriel segurou sua mão com firmeza.
A mulher olhou para trás, curiosa.
— Por favor, não comente nada disso com os nossos pais ainda, tudo bem? — ele pediu num tom brando.
O nariz dela voltou a arder, anunciando um novo choro iminente.
Contudo, ela apenas assentiu. — Tudo bem. Eu entendo.
Uriel entrelaçou seus dedos nos dela, e caminharam juntos em direção ao estacionamento.
Assim que o casal desapareceu de vista, Bonifácio saiu de trás de uma das pilastras perto da entrada. Segurando uma sacola de farmácia, ele acompanhou a saída dos dois com o cenho franzido.
— Por que ela estava chorando como se alguém fosse morrer? — murmurou para si mesmo.
Ferida pelas palavras, Paloma o encarou com uma frieza cortante.
Diante daquela hostilidade silenciosa, Bonifácio cedeu.
Ergueu as mãos em sinal de rendição. — Certo, certo, já me calei.
Em seguida, suavizou o tom. — Se não pretende jogar as cartas na mesa, a chantagem é o único caminho. Pense no assunto e me dê uma resposta amanhã. Se não quiser falar com ela, eu mesmo assumo o papel de vilão.
E, se ele fosse o encarregado, a abordagem seria implacável.
Ela compreendeu perfeitamente o aviso embutido naquela frase.
Mordeu o lábio inferior com força e, finalmente, tomou uma decisão.
Caminhou até a sacada e, após hesitar longamente com o celular em mãos, ligou para a amiga.
A demora em ser atendida indicava o abalo do outro lado da linha.
Assim que a ligação foi estabelecida, a voz rouca e entrecortada de Bruna deixou evidente que ela estivera aos prantos.
Naquele instante, as palavras entalaram na garganta de Paloma.

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