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Meu Amor, Meu Traidor romance Capítulo 742

O médico hesitou, lançando um olhar cauteloso para Uriel.

— Pode falar com franqueza — Uriel encorajou, a voz firme.

O especialista suspirou pesadamente. — O chip está em uma área extremamente delicada. Os riscos da cirurgia são altíssimos; vocês precisam estar preparados para o pior cenário.

Quando deixaram o hospital, os olhos de Bruna já estavam vermelhos de tanto segurar o choro.

Uriel, no entanto, não demonstrou nenhum sinal de abalo. Em vez disso, puxou a esposa para perto, tentando confortá-la.

— É um procedimento arriscado, mas não impossível. Fique tranquila, meu bem. Nada de ruim vai me acontecer.

Ela virou o rosto para encará-lo, e as lágrimas finalmente transbordaram, escorrendo por suas bochechas.

Encarou-o com a voz embargada, porém com um brilho de determinação feroz no olhar.

— Eu não vou deixar que nada aconteça com você.

Por um instante, o homem não soube se deveria continuar a acalmá-la ou apenas agradecer.

Deu um passo à frente e a envolveu em um abraço protetor, afagando suavemente seus cabelos.

— Não se preocupe, eu tenho uma sorte infinita.

Pelo que havia descoberto sobre seu próprio passado, sobrevivera a um terrível acidente de carro e a uma explosão no País D.

Era apenas uma cirurgia; ele certamente não morreria por causa disso.

Bruna secou as lágrimas contra o peito dele e endireitou a postura, buscando seus olhos.

— Vamos para casa.

Ela estava prestes a caminhar quando Uriel segurou sua mão com firmeza.

A mulher olhou para trás, curiosa.

— Por favor, não comente nada disso com os nossos pais ainda, tudo bem? — ele pediu num tom brando.

O nariz dela voltou a arder, anunciando um novo choro iminente.

Contudo, ela apenas assentiu. — Tudo bem. Eu entendo.

Uriel entrelaçou seus dedos nos dela, e caminharam juntos em direção ao estacionamento.

Assim que o casal desapareceu de vista, Bonifácio saiu de trás de uma das pilastras perto da entrada. Segurando uma sacola de farmácia, ele acompanhou a saída dos dois com o cenho franzido.

— Por que ela estava chorando como se alguém fosse morrer? — murmurou para si mesmo.

Ferida pelas palavras, Paloma o encarou com uma frieza cortante.

Diante daquela hostilidade silenciosa, Bonifácio cedeu.

Ergueu as mãos em sinal de rendição. — Certo, certo, já me calei.

Em seguida, suavizou o tom. — Se não pretende jogar as cartas na mesa, a chantagem é o único caminho. Pense no assunto e me dê uma resposta amanhã. Se não quiser falar com ela, eu mesmo assumo o papel de vilão.

E, se ele fosse o encarregado, a abordagem seria implacável.

Ela compreendeu perfeitamente o aviso embutido naquela frase.

Mordeu o lábio inferior com força e, finalmente, tomou uma decisão.

Caminhou até a sacada e, após hesitar longamente com o celular em mãos, ligou para a amiga.

A demora em ser atendida indicava o abalo do outro lado da linha.

Assim que a ligação foi estabelecida, a voz rouca e entrecortada de Bruna deixou evidente que ela estivera aos prantos.

Naquele instante, as palavras entalaram na garganta de Paloma.

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