Havia muitos quartos no andar de cima. Ela abriu um por um, mas não encontrou ninguém.
Até chegar ao último.
Ela empurrou a porta sem hesitar, e o brilho frio de uma lâmina passou diante de seus olhos. Antes que pudesse reagir, a faca veio em sua direção.
Faltou um centímetro para cortar seu pescoço.
— Bruna?
A voz rouca de Uriel soou, e a adaga parou instantaneamente.
Ele se aproximou apressadamente, segurando o queixo de Bruna para examinar seu pescoço.
— Você não se machucou, não é?
Bruna estava assustada, seu coração ainda batia descontroladamente.
Erguendo os olhos para o rosto pálido e preocupado de Uriel, ela balançou a cabeça rapidamente para dizer que estava tudo bem.
— E você? Está bem? Foram os seguranças lá de baixo que você feriu? Seu corpo aguenta isso?
Ele mal havia se recuperado. Como pôde se envolver em uma briga?
Antes que ela pudesse verificar os ferimentos de Uriel, ele a puxou para um abraço apertado.
Bruna podia sentir Uriel tremendo por inteiro.
— Desculpe, desculpe...
Se ele não tivesse parado a adaga a tempo, poderia realmente tê-la ferido.
Ele não era um assassino, mas se a adaga tivesse feito um corte em seu pescoço, derramando sangue, ele se sentiria culpado pelo resto da vida.
Bruna deu tapinhas nas costas de Uriel.
— Está tudo bem, está tudo bem. Eu estou bem.
Ela o acalmou por um momento antes de se afastar para olhar o quarto.
— Fernanda está aqui dentro, não está?
Uriel franziu a testa, parecendo temer que Bruna pensasse o pior, e explicou com urgência.
— As coisas não são como você está pensando, eu posso explicar. Vim procurá-la porque...
— Falamos sobre isso depois. Eu já chamei a polícia, eles devem chegar em breve. Precisamos garantir nossa segurança primeiro.
O homem lá embaixo provavelmente era estrangeiro, e as leis do País A talvez não o afetassem.
Mas Fernanda precisava receber a punição que merecia.
— Eu... isso foi... durante a briga, eles se soltaram acidentalmente.
Bruna não acreditou nem um pouco. Uma briga que desabotoa camisas.
Ela trancou a porta do quarto e disse a Uriel.
— Pode mentir para mim agora, mas na delegacia, você vai contar tudo, tintim por tintim. Entendeu?
Sempre que Bruna dava uma ordem com uma voz fria e firme, Uriel sentia um calafrio.
Ele assentiu apressadamente.
— Entendido.
Bruna esperava que Bonifácio e seus homens subissem para capturá-los, mas depois de uma longa espera, não houve movimento algum.
Em vez disso, não muito tempo depois, o som de sirenes ecoou do lado de fora.
Ela foi até a janela para olhar.
Os vários carros de luxo que estavam estacionados lá embaixo haviam desaparecido. Apenas os dois carros, o dela e o de Uriel, estavam silenciosamente parados na beira da estrada.
Os carros da polícia pararam na entrada, e os policiais invadiram o local.

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