Assim que a voz de Fernanda se calou, um barulho surgiu ao redor da mansão.
No segundo seguinte, a porta da frente foi arrombada.
Um grupo de seguranças bem treinados invadiu o local, cercando Uriel.
Uriel franziu ligeiramente a testa, captando agudamente um som de passos diferente atrás de si.
Sapatos de couro estalavam ritmicamente no piso de cerâmica.
Uriel se virou.
Um homem vestindo um terno vermelho vibrante caminhava lentamente pelo corredor que os seguranças haviam deliberadamente deixado livre.
Seus olhos azuis celestes continham um brilho astuto.
O homem parou em frente a Uriel, um sorriso arrogante curvando seus lábios.
— Sr. Braga, é um prazer conhecê-lo.
Uriel observava o homem à sua frente com cautela.
Ele vasculhava sua mente, tentando recordar todas as informações que absorvera recentemente, na tentativa de identificar aquela pessoa.
Um estrangeiro, que guardava rancor dele.
Seria ele o tal Víctor, que não havia morrido?
Mas, estranhamente, embora o homem o tivesse cercado com seus homens, Uriel não sentia nenhuma malícia vinda dele.
Uriel perguntou:
— Quem é você?
Sua expressão era fria, indecifrável.
O homem sorriu.
— Permita-me apresentar. Chamo-me Bonifácio, sou um comerciante de Vereda da Serra. Embora eu tenha crescido em Vereda da Serra, minhas raízes são da Capital.
— Nós nos conhecemos?
— Não.
Bonifácio respondeu com total naturalidade, sem demonstrar que achava rude agir de forma tão agressiva com um completo estranho.
Ele pegou seu celular e mostrou a tela para Uriel.
— Dê uma olhada nesta foto. O que sua esposa pensaria se a visse?
Mesmo cercado pelos seguranças, sua primeira reação não foi se defender, mas pegar o celular para ligar e explicar a Bruna.
Mas assim que ele pegou o aparelho.
O olhar de Bonifácio tornou-se gélido, e ele fez um sinal para os seguranças ao redor.
Os homens avançaram de uma só vez.
Um brilho feroz passou pelos olhos de Uriel. Ele conseguiu discar o número de Bruna e se agachou para desviar do soco de um segurança.
Ele não se lembrava se tinha alguma habilidade de luta; todos os seus movimentos de esquiva eram puramente instintivos.
No entanto, seu corpo mal havia se recuperado, e qualquer esforço extra era extenuante.
A ligação mal completou, e ele só ouviu Bruna dizer “Uriel” do outro lado da linha, antes que seu celular fosse arrancado de sua mão por um golpe.
O celular se espatifou no chão, a tela estilhaçada.
A ligação foi cortada.
Uriel ficou furioso e desferiu um soco violento no segurança que derrubou seu celular.
Bonifácio recuou, observando o campo de batalha caótico.

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