Uriel olhou para Fernanda, mas não demonstrou grande reação.
As lágrimas da mulher à sua frente não lhe despertavam a menor compaixão.
Ele perguntou:
— Posso entrar?
Só então Fernanda abriu o portão, permitindo que Uriel entrasse.
Ela o convidou a se sentar e foi buscar um copo de água para ele.
Em seguida, sentou-se à sua frente e começou a se fazer de vítima.
— Uriel, eu pensei que nunca mais o veria. Naquele dia, aqueles homens maus me expulsaram do hospital. Tentei procurá-lo, mas eles sempre me impediram.
Enquanto falava, ela ficou agitada e tentou pegar a mão de Uriel, mas ele se esquivou.
Ela ficou paralisada por um momento, mas sem dizer nada, continuou no seu próprio ritmo.
— Uriel, sou eu a sua namorada, não se deixe enganar por aquela mulher. Eu o salvei tantas vezes, você precisa acreditar em mim. Sou a pessoa que mais te ama neste mundo.
Uriel olhou para Fernanda e, depois de um longo tempo, disse:
— Você realmente salvou a minha vida.
Sua voz era surpreendentemente suave.
Fernanda pensou que ele havia acreditado nela.
Um sorriso se abriu em seu rosto.
Quando se preparava para continuar, Uriel falou novamente.
— Mas isso não significa que tudo o que você diz é verdade.
Fernanda entrou em pânico.
— Como você pode não acreditar em mim? Uriel, eu juro que não estou mentindo. Nós éramos namorados, você me amava muito, só não se lembra.
Fernanda, ágil, agarrou a mão de Uriel, olhando-o com profunda afeição.
— Uriel, você se esqueceu de mim, mas eu não o culpo. Acredito que um dia você se lembrará.
Uriel franziu a testa, olhando para a sua mão que estava sendo segurada.
A mulher à sua frente dizia ser alguém que ele amou no passado.
Ele sentia que Valentina estava escondendo algo, então investigou por conta própria.
Descobriu que Ignácio estava morto.
E seu assistente, Samuel, também parecia esconder algo, fornecendo-lhe apenas um relatório claramente incompleto.
Nada mais.
As pessoas ao seu redor mantinham um silêncio absoluto sobre Ignácio.
Mas ele sentia que essa pessoa deveria ser muito importante para ele.
Associando o sobrenome de Fernanda e a semelhança de seu rosto com o de Ignácio, ele decidiu perguntar a ela quando a encontrasse.
Ele não esperava essa resposta.
Ele franziu a testa e perguntou:
— O que exatamente aconteceu?
Fernanda suspirou, como se estivesse relembrando um evento doloroso.
— Você e meu irmão eram companheiros de armas. Anos atrás, no campo de batalha do País D, ele morreu para te salvar. Antes de morrer, ele pediu que você cuidasse bem de mim. Quando você voltou ao país e me contou a notícia, fiquei tão devastada que desmaiei. Naquela época, foi você quem cuidou de mim.

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