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Me Satisfaça, Daddy romance Capítulo 203

Ponto de vista de Grace.

Nos últimos meses, desde o dia em que bati a porta e saí desta casa, nunca mais tive notícias deles. Nem uma ligação, nem uma mensagem, nem sequer um boato chegou aos meus ouvidos. Naquela época, eles tentaram me forçar a casar com o Charles, mesmo sabendo que ele era gay, como se a minha felicidade nunca tivesse importado. E quando recusei e fui embora, foi como se eu tivesse sido apagada completamente da vida deles.

Eu não sabia o que tinha acontecido durante esse tempo, não sabia como a rotina deles havia mudado, e não me importava o suficiente para procurar saber.

Era por isso que a cena diante de mim parecia tão irreal. A mulher sentada no sofá não lembrava em nada a mãe de quem eu me recordava. Ela costumava ser cheia de vida, arrogante, alguém que fazia o que bem entendia sem se importar com as consequências, que sempre mantinha o queixo erguido e olhava para todos de cima.

Agora, ela parecia pálida e magra, com o corpo quase frágil, como se a própria vida tivesse drenado cada gota de cor e orgulho de suas veias. Estava pior do que eu me lembrava, tão pior que, por um segundo, quase não a reconheci.

Ela ergueu a cabeça e me olhou, os olhos arregalados em choque. Um sorriso se espalhou lentamente por seu rosto, um sorriso carregado de alívio, como se estivesse diante de algo pelo qual esperara desesperadamente.

Se isso tivesse acontecido antes, eu sabia exatamente como teria reagido. Ficaria radiante. Durante toda a minha vida, tudo o que eu sempre quis foi que meus pais me olhassem daquela maneira, que sorrissem aliviados, felizes por me ver, em vez de me encararem como um fardo indesejado que mal podiam esperar para descartar. Eu correria na direção dela sem hesitar, me jogando em seus braços no instante em que ela sorrisse para mim.

Mesmo que ela não me amasse da forma como uma mãe deveria, mesmo que me tratasse mal, para mim ela ainda era minha mãe, e eu a amava profundamente.

Mas desta vez foi diferente. Continuei ali parada, imóvel, encarando-a com olhos que pareciam vazios, sem alma, como se estivesse olhando através dela, e não para ela.

Ela esfregou os olhos, como se não acreditasse no que via, então os abriu novamente e sorriu ainda mais abertamente.

— Oh meu Deus, Grace. — Disse ela, a voz tremendo de emoção. — Você está aqui. É você mesma.

Ela se levantou rapidamente e correu na minha direção, me envolvendo em um abraço apertado, como se temesse que eu fosse desaparecer se me soltasse.

— Você finalmente voltou. — Disse ela, me mantendo junto a si.

— Você não desistiu de nós. Graças a Deus, você está de volta em casa.

Não esbocei reação. Não retribui o abraço, nem me agarrei a ela como costumava fazer.

Quando ela finalmente notou que eu não correspondia, que não me segurava nela nem chorava como antes, se afastou devagar. Em vez disso, segurou minhas mãos, os dedos apertando os meus enquanto me lançava um olhar esperançoso e quase desesperado.

— Grace, você não tem ideia do que nós passamos depois que você foi embora. Tantas coisas terríveis aconteceram.

Ela puxou o ar de forma trêmula antes de continuar:

— Os negócios do seu pai começaram a falir, e por causa disso, ele teve um ataque cardíaco. Ele está em coma agora. — Sua voz quebrou ligeiramente, mas ela continuou falando.

— Antes disso acontecer, ele devia dinheiro a muita gente. Tive que vender a maior parte dos nossos bens para pagá-los, mas não foi o suficiente. As pessoas continuavam vindo, levando tudo o que podiam. Não nos restou mais nada a não ser esta casa, e até ela pertence ao banco. Vou ter que sair daqui cedo ou tarde.

— Durante todo esse tempo, tentei tanto te ligar, mas as chamadas nunca completavam. Cheguei a contratar investigadores particulares para procurar por você, mas eles simplesmente sumiam. Paravam de atender minhas ligações, não importava quantas vezes eu tentasse.

Olhei para ela em silêncio, minha expressão inalterada. Eu não era estúpida. Não precisava cavar muito fundo para saber quem estivera bloqueando aquelas pessoas, impedindo-as de sequer se aproximarem de mim.

Apollo.

Ele esteve me protegendo em silêncio, me blindando de tudo o que eu sequer sabia que estava acontecendo, permanecendo ao meu lado mesmo quando eu não tinha consciência. Ele sempre esteve lá, me resguardando à sua própria maneira.

Minha mãe apertou mais as minhas mãos e sorriu de novo, o alívio e a expectativa brilhando em seus olhos.

— Graças a Deus você está aqui agora. As coisas não vão ser tão difíceis daqui para frente, avida não vai ser tão dura de novo.

Ela acreditava, sem uma única dúvida, que tudo poderia voltar a ser exatamente como era antes.

Minha mãe me fitou por um longo momento e, quando finalmente se deu conta de que eu não reagia a nenhuma de suas palavras da forma como costumava fazer, uma leve carranca surgiu em seu rosto. Durou apenas um segundo antes que ela reajustasse a expressão rapidamente, como se tivesse decidido mudar de estratégia.

— Grace. — Disse ela suavemente, a voz caindo naquele tom familiar que ouvi tantas vezes enquanto crescia, aquele que sempre me fazia duvidar de mim mesma.

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