Ponto de vista de Grace.
— Senhor Reed, o senhor seria gentil o suficiente para deixar a Grace ficar na sua casa até que a reforma termine? — A voz de Eleanor ecoou pela sala.
Meu. Deus. Do. Céu.
Arfei enquanto Eleanor e Wyatt lentamente se voltavam para Apollo, esperando por sua resposta. Até os gêmeos, que claramente não entendiam o que estava acontecendo, seguiram o exemplo dos pais, com os olhos arregalados e curiosos fixos nele, os corpinhos inclinados para frente em expectativa.
Encarei Eleanor, minha mente se recusando a processar o que ela tinha acabado de dizer. Antes que eu percebesse, a colher escorregou dos meus dedos e tilintou ruidosamente contra a mesa.
O que acabou de acontecer? Ela realmente teve a audácia de perguntar isso?
Eleanor sempre foi um pouco maluca, mas eu não esperava por essa; aquilo era um nível totalmente novo de insanidade.
Eu deveria saber que ela estava tramando algo. O brilho divertido em seus olhos, a maneira como seus lábios se curvaram naquele sorriso cúmplice... eram sinais claros. Eu deveria ter previsto. Mas não conseguia acreditar que ela realmente pediria a Apollo para me deixar morar com ele. Na mesma casa.
Ela estava tentando me matar ou simplesmente sentia prazer em ver a minha vida sair totalmente do controle? O que diabos ela tinha na cabeça?
Apollo não parecia o tipo de homem que tolerava inconveniências, muito menos outra pessoa invadindo seu espaço pessoal.
Minha garganta se apertou enquanto eu engolia em seco e lentamente virava a cabeça na direção dele. Ele havia parado totalmente de comer. O garfo descansava frouxo em sua mão, esquecido, enquanto seu olhar se fixava em mim. Não era um olhar frio ou desdenhoso, pelo contrário, era intenso e focado de uma forma que fez minha pele arrepiar.
Parecia que ele estava pesando a situação com extrema cautela.
Inspirei, pronta para falar e inventar algum tipo de desculpa que pudesse mudar o rumo da conversa, mas antes que eu conseguisse soltar uma única palavra, uma batida soou na porta.
Todas as cabeças se viraram ao mesmo tempo.
— Eu atendo! — Liana cantarolou, já pulando da cadeira antes que alguém pudesse impedi-la. Ela correu até a porta e a abriu com seu entusiasmo de sempre.
Parado ali estava Austin. Ele hesitou brevemente, seus olhos afiados varrendo o cômodo, absorvendo a atmosfera tensa, antes de finalmente olhar para Apollo. Então, inclinou a cabeça de leve, composto e respeitoso como sempre.
— Peço desculpas pela interrupção. — Disse ele calmamente, sua voz cortando o silêncio.
— Mas há algo que preciso informar ao senhor Reed.
Fiquei de pé ao vê-lo. Por um momento, eu tinha esquecido completamente que ele estaria lá fora. É claro que estaria, afinal, ele era o motorista de Apollo. Apollo não dirigia o próprio carro, então Austin o havia trazido até aqui.
— Ah. Por favor, entre. — Eu disse, acenando em direção ao interior da casa.
Austin deu um passo para dentro e fechou a porta atrás de si. Caminhou direto na direção de Apollo com uma expressão profissional e disse baixinho:
— Senhor, tenho algo para lhe relatar.
Apollo não desviou os olhos de mim quando respondeu. Seu olhar permaneceu fixo no meu rosto enquanto dizia:
— O que é?
Austin inclinou-se mais perto e sussurrou algo em seu ouvido. Não consegui ouvir as palavras, mas não perdi a mudança na expressão de Apollo. Seus olhos escureceram quase instantaneamente, o calor que havia neles esfriando para algo bem mais sombrio.
— Entendo. — Disse Apollo calmamente.
Austin se endireitou e deu um passo para trás.
Franzi a testa ligeiramente, o mal-estar se instalando e, antes que pudesse me conter, perguntei:
— Aconteceu alguma coisa?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...