Ponto de vista de Grace.
Fiquei ali parada, encarando o senhor à minha frente.
O senhor Reed me olhava com aquele mesmo sorriso que eu tinha visto no café, lá quando ele era apenas um idoso com um jornal. Mas agora que eu sabia quem ele era de verdade, tudo parecia diferente.
Por um momento, eu não soube como agir. Ele parecia gentil e genuíno, mas o jeito que o olhar dele demorava em mim tornava o ar estranho. Mudei o peso de um pé para o outro, fingindo olhar para qualquer lugar, menos diretamente para ele. Era ridículo. Ele não tinha mudado, mas eu, de repente, não sabia mais como me comportar perto dele.
Justo quando eu tentava pensar em algo para dizer, um garçom se aproximou com um sorriso radiante e uma bandeja de taças de champanhe. Ele parou na minha frente e ergueu uma taça, oferecendo-a para mim.
— Boa tarde, senhorita. — Disse ele educadamente, num tom respeitoso que me fez sentir ainda mais deslocada.
— Gostaria de uma bebida?
— Eu... — Comecei a recusar, mas talvez uma bebida não fosse uma ideia tão ruim. Eu tinha prometido a mim mesma não ficar bêbada, mas uma taça de champanhe não faria mal. Além disso, eu precisava me manter sã e manter minhas mãos ocupadas, especialmente com o senhor Reed parado bem na minha frente.
— Sim, obrigada. — Eu disse, forçando um sorrisinho. Peguei a taça e a levei aos lábios. O gosto estava estranho, mais doce do que eu estava acostumada, mas não dei muita importância. Era um evento de gente rica, afinal. Talvez tudo aqui devesse ter um gosto diferente.
Eu estava prestes a tomar outro gole quando a voz do senhor Reed quebrou o silêncio.
— Você está decepcionada — perguntou ele — por eu não ser quem você pensava?
Congelei. A taça pairou perto dos meus lábios enquanto eu olhava para ele. Ele ainda tinha aquele sorriso familiar no rosto, mas, por trás dele, eu conseguia ver a incerteza em seu olhar. Como se estivesse preocupado que, agora que eu sabia sua identidade, eu começasse a tratá-lo de forma diferente.
Minha mão apertou a taça. Eu não sabia o que dizer.
Eu estava decepcionada? Não. Não era isso. Eu também não tinha medo de quem ele era. Mas eu estava preocupada com o que isso significava. Não era apenas o fato de ele ser rico ou poderoso. Eu teria lidado com isso. Mas ele não era um homem rico qualquer. Ele era o pai de Apollo Reed.
Se o Apollo algum dia descobrisse que eu conheci o pai dele, ele nunca acreditaria que foi coincidência. Provavelmente pensaria que eu o procurei de propósito, tentando conquistar o pai dele para manipular a situação de alguma forma. Mas não era verdade. Era apenas uma coincidência ridícula. Ainda assim, até eu sabia o quão inacreditável isso soava.
E se o senhor Reed algum dia descobrisse que tipo de relacionamento eu tinha com o filho dele—
Meu Deus, eu não queria nem imaginar isso.
Ele provavelmente pensaria que eu era uma estagiária interesseira, dormindo com o filho dele por dinheiro ou contatos; que eu estava atrás da riqueza e do status dos Reeds. Mas eu não era esse tipo de pessoa. Mesmo quando o Apollo me deu aqueles dez milhões de dólares ridículos, eu nunca toquei neles. Eu só aceitava meu salário normal, recusando qualquer extra.
Ainda assim, nada disso importava, não é? Porque ninguém nunca acredita na mulher que diz que não quer nada.
O senhor Reed me estudou por um longo momento, seus olhos aguçados se suavizando enquanto seus lábios se curvavam em um pequeno sorriso. Então, antes que eu pudesse reagir, ele estendeu a mão e pegou a minha.
Eu estremeci.
O movimento foi pequeno e quase imperceptível. Eu estava muito consciente de que as pessoas ainda estavam nos encarando, provavelmente sussurrando e se perguntando por que o homem mais poderoso da sala estava segurando a mão de uma estagiária.
O peso da atenção deles me pressionava, mas eu não puxei minha mão.
— Você é uma boa mulher, Grace. — Disse o senhor Reed baixinho.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...