Ponto de vista de Grace.
Tive que morder os lábios para saber se estava sonhando ou não. Mas mesmo quando senti a pontada aguda de dor, eu não acordei.
Isso não era um sonho, era a realidade. Uma realidade horrorosa, humilhante e esmagadora que ficava pior a cada segundo que passava.
Os olhos de todo mundo estavam em mim: os da Vivian, os do Landon e até os de alguns convidados próximos que interromperam suas conversas para encarar a cena que se desenrolava. Eu quase podia sentir a curiosidade deles queimando minha pele.
Olhei para Adam. Não, o senhor Reed.
Engoli em seco, com a garganta seca e o coração batendo tão rápido que parecia que ia pular para fora do peito.
Como eu não tinha percebido?
Agora que eu olhava de perto, era óbvio. O mesmo olhar afiado, a mesma autoridade na voz, a mesma aura que fazia as pessoas se afastarem sem precisarem ouvir uma ordem.
Ele era exatamente como o Apollo.
Ah, meu Deus.
Eu queria me dar um tapa. Os sinais estavam todos lá, tantos deles, mas, honestamente, alguém poderia me culpar? Como eu ia saber que o doce velhinho do café — aquele que deu uma surra no Charles e me zoava por trabalhar demais — era Adam Reed, um dos homens mais ricos do país e o pai do homem com quem eu andava transando?
Se humilhação matasse, eu estaria morta agora mesmo. E para piorar as coisas, durante nossas conversas no café, eu reclamei do Apollo. Eu disse coisas como "ele é impossível", "ele trabalha demais" e "às vezes ele me lembra o diabo".
Eu estava morta. Absolutamente, oficialmente morta.
Não tinha como eu manter meu emprego depois disso. Minha carreira acabou. Minha dignidade? Já tinha ido para o ralo há muito tempo.
Ele já devia ter ligado os pontos. Provavelmente sabia exatamente quem eu era e estava apenas esperando para me ver entrar em pânico. Talvez isso fosse uma vingança. Enquanto meu cérebro espiralava entre fugir e desmaiar dramaticamente, senti uma mão tocar meu ombro.
Eu estremeci. Quando olhei para cima, era o Landon, exibindo um sorriso falso.
O olhar de Adam disparou para ele imediatamente, afiado, frio e tão perigoso que até eu congelei.
— Ei, Grace. — Disse Landon, com a voz oleosa e confiante.
— Por que você não nos apresenta?
Eu queria empurrá-lo para longe. Queria gritar: "Agora não, seu idiota!". Ele não conseguia ver que eu estava morrendo por dentro?
Como eu não respondi, Landon se voltou para Adam, completamente alheio ou talvez apenas burro.
— Olá, senhor Reed. Sou Landon, o superior da Grace na empresa. Eu não sabia que a Grace conhecia alguém como o senhor. Se eu soubesse, teria facilitado as coisas para ela. Ela não precisaria se estressar tanto com o trabalho.
Meus olhos se arregalaram em descrença. Que porra ele estava dizendo?
Ele continuou, sorrindo feito um imbecil.
— Enfim, agora que eu sei, vou garantir que ela seja bem cuidada, senhor. Eu vou...
— Larga ela, seu idiota! — A voz de Adam trovejou pelo salão.
Landon congelou, com a mão ainda no meu ombro e o sorriso falso desmoronando.
— Senhor?
O olhar de Adam tornou-se mortal, todo o calor desaparecendo.
— Você não me ouviu? Larga. Ela. Agora.
A mão de Landon tremeu, mas ele ainda não se moveu rápido o suficiente. A expressão de Adam endureceu, e ele se virou levemente para sua secretária.
— Livre-se deste inseto.
— Sim, senhor.
Antes que alguém pudesse processar o que estava acontecendo, a secretária avançou, agarrou Landon pelo braço e o puxou para trás com tanta força que ele tropeçou, quase caindo. Suspiros de choque ecoaram pelo salão.
Eu fiquei ali parada, congelada, encarando Adam.
Aquele não era o homem gentil e bondoso que sorria para mim enquanto tomava café. Aquele era o senhor Reed, o homem que poderia comandar uma sala inteira com um único olhar. E por algum motivo insano, ele tinha acabado de me defender.
Tudo aconteceu tão rápido que, por um momento, eu nem entendi o que estava rolando. Os olhos dele travaram em Landon, e a sala inteira parecia prender a respiração.
— Quem é você — disse ele, com a voz baixa e fria — para tocar nela?
Landon paralisou.
O senhor Reed deu um passo à frente, com um olhar tão intenso que até eu recuei.
— Você não sabe que alguém como você não deveria nem encostar nela? Você não vale nem a poeira nos sapatos dela. O que te fez pensar que pode fazer o que quiser?
Eu estava completamente atordoada. Nunca tinha visto Adam zangado antes, e era assustador.
— Aquele meu filho estúpido — resmungou ele bruscamente — eu me pergunto o que ele tinha na cabeça, deixando gente tão burra quanto você trabalhar nesta empresa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...