Ponto de vista de Grace.
Eu me levantei da banheira, a água escorrendo pela minha pele e formando poças nos meus pés. Peguei a toalha e a enrolei no corpo, o tecido macio retendo o calor da minha pele. Soltei um longo suspiro de alívio.
Finalmente.
Eu me sentia revigorada pela primeira vez hoje, tinha sido um dia longo. Depois de sair do hospital, passei em casa só o tempo necessário para me trocar antes de ir direto para a empresa. Foram duas horas inteiras com o senhor Aiden, revisando detalhes, antes de eu finalmente conseguir voltar para casa.
Pegando outra toalha para o cabelo, entrei no meu quarto, com o cheiro suave de shampoo e lavanda me seguindo. O ar fresco bateu na minha pele e eu estremeci um pouco enquanto caminhava até o espelho. Comecei a secar o cabelo úmido com a toalha, passando os dedos pelos fios longos.
Meu reflexo olhava de volta para mim. Sorri ao tocar meu cabelo. Ele ia até a cintura, longo e preto, ainda úmido e brilhante sob a luz. Às vezes eu me sentia culpada por mantê-lo escondido sob perucas e lenços. Era lindo demais para ser ocultado.
— Talvez um dia — murmurei para mim mesma — eu consiga me mostrar para o mundo sem esconder nenhuma parte de mim.
Nesse momento, meu celular apitou na mesa. Olhei para ele, arqueando a sobrancelha ao ver a notificação. A primeira coisa que apareceu na tela foi uma figurinha de um senhorzinho sorrindo e fazendo um coração com as mãos. Eu nem precisei checar o nome, já sabia que era o Adam.
Balancei a cabeça, sorrindo apesar de tudo.
Mais cedo, ele tinha me pedido para ser a acompanhante dele num evento amanhã. Juntando as peças, percebi que ele estava falando do grande evento da empresa. Só os ricos e famosos recebiam convites para algo assim, o que significava que o Adam definitivamente fazia parte do primeiro grupo. Ele não tinha exatamente "cara" de celebridade, era mais do tipo rico discreto, charmoso sem esforço e completamente de boa.
Eu disse a ele que estaria trabalhando no evento, que não poderia ser seu par. Mas, claro, ele nem deu bola, insistindo que eu iria como convidada, não como funcionária. Eu só disse que ia pensar. Na verdade, não tinha o que pensar, eu não podia faltar ao trabalho, mas também não queria dar um fora nele.
Suspirei e abri a mensagem.
[Mal posso esperar para te ver amanhã, Grace! Me mande seu endereço, vou pedir para o meu motorista te levar um vestido para podermos ir juntos.]
Uma risadinha escapou dos meus lábios. Ele é inacreditável.
Talvez eu não devesse partir o coração dele totalmente. Talvez desse para achar um meio-termo.
Digitando rápido, enviei minha resposta:
[Eu realmente não posso faltar ao trabalho, mas que tal o seguinte? Se a gente se encontrar no evento, eu passo um tempo com você para você não ficar sozinho.]
A resposta veio quase instantaneamente.
[Hmm, está bem, está bem. Me prometa que vai passar um tempo com este velho, querida.]
[Eu prometo.]
Eu provavelmente não devia ter prometido. Mas, sério, qual seria o problema? Eu só ia dar um oi para um convidado. Nada além disso.
Eu ia guardar o celular quando parei, com o polegar pairando sobre a tela.
"Não faz isso, Grace. Não..."
Mordi o lábio de qualquer jeito e deslizei para os meus contatos. E lá estava ele.
"Iceberg Ambulante"
Meu coração deu um salto só de ver o nome.
Em minha defesa, eu salvei assim eras atrás, quando ainda morria de medo dele. Quando eu achava que o Apollo Reed era algum homem frio e implacável que sentia prazer em desgraçar a minha vida. Mas, depois de tudo o que aconteceu entre nós, o nome acabou ficando.
Talvez porque, mesmo quando ele não estava me congelando com aquele olhar, ele ainda me fazia sentir coisas que eu não conseguia explicar.
Fiquei encarando o nome por tempo demais, com o polegar tremendo levemente sobre a tela. Eu queria ouvir a voz dele tanto que meu peito chegava a doer. Era idiota. Totalmente idiota.
"Quem diabos liga para o chefe a essa hora?", pensei. Mas, por outro lado, o Apollo não era apenas o meu chefe.
Ele era o homem com quem eu aceitei ter um relacionamento puramente sexual. O homem cujas mãos eu ainda conseguia sentir agora. Então, talvez ouvir a voz dele não fosse tão ruim assim. Certo?
Certo?!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...