Ponto de vista de Apollo.
O leve farfalhar de papel era o único som na sala enquanto eu folheava o documento na minha mesa — página após página de fragmentos inúteis. Números, datas, relatórios... nada disso me dava o que eu realmente precisava.
À minha frente, Chase limpou a garganta com cuidado, a voz firme, mas carregada de nervosismo.
— O endereço ip foi rastreado direto para esta casa, senhor. — Disse ele.
— Mas não há outra informação sobre quem fez a ligação. A dona da casa é uma senhora idosa. Ela disse que um homem usando uma máscara apareceu na porta perguntando se podia fazer uma chamada. Depois disso, ele foi embora. Ela não sabe quem ele é e não conseguiu identificá-lo, já que nunca viu o rosto dele.
Eu não respondi.
Mantive os olhos no documento, lendo as últimas linhas, embora já tivesse memorizado cada palavra. Meus dedos viraram a página seguinte. O silêncio no escritório se estendeu, pesado o suficiente para que eu sentisse o desconforto dos dois homens emanando do outro lado da mesa.
Pelo canto do olho, vi Chase lançar um olhar para Austin, que estava sentado ao seu lado. Austin balançou a cabeça sutilmente, um aviso silencioso para ele ficar calado.
Quando finalmente terminei a leitura, coloquei a pasta de lado e olhei para cima.
— Entendo. — Meu tom era calmo.
— Mais alguma coisa?
A garganta de Chase saltou quando ele engoliu em seco.
— N-não, senhor. Só isso.
Assenti.
— Podem ir, os dois.
— Senhor... — Chase começou, mas Austin se levantou, cortando-o com uma breve reverência.
— Sim, senhor. Estaremos por perto se precisar de nós.
Chase se levantou atrapalhado logo atrás, repetindo as mesmas palavras antes de seguir Austin para fora. A porta deu um clique ao fechar, deixando a sala em silêncio novamente.
Encostei na cadeira, soltando um suspiro baixo. Meus dedos batucavam na mesa num ritmo lento e constante enquanto eu olhava para o relógio na parede.
Nove da noite, já estava tarde.
Faziam seis dias que eu tinha saído do país. Seis dias caçando sombras, seguindo migalhas que não levavam a lugar nenhum. Eu nem lembrava a última vez que tinha realmente descansado. Cada noite se misturava com a próxima, um ciclo infinito de relatórios, becos sem saída e perguntas sem resposta.
Seis dias brincando de gato e rato com um psicopata que parecia gostar de estar sempre um passo à minha frente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...