Ponto de vista de Grace.
Eu sempre soube que Charles era imprevisível, ele fazia coisas que nenhum ser humano com um cérebro funcional esperaria. Mas embora fosse imprevisível, Charles também era um covarde. Ele não tinha espinha dorsal. Então, por que raios aquele homem viria até aqui se Apollo já o tinha ameaçado?
Eu não entendia.
Meu coração disparou enquanto eu descia apressada, mal prestando atenção em quem estava ao meu redor. Meu pulso estava alto demais e meus pensamentos, bagunçados demais. Acabei esbarrando em alguém sem querer.
— Ei!
Baixei a cabeça rapidamente.
— Desculpe. — Murmurei, antes de correr em direção à entrada.
As pessoas me olhavam como se eu tivesse enlouquecido, mas eu não me importava, eu não podia deixar Charles fazer uma cena aqui.
Quando finalmente cheguei à entrada principal, minha respiração travou na garganta. Lá estava ele, parado como se fosse o dono do lugar.
Ele tinha um buquê de flores nas mãos, vestido com um terno impecável que o deixava atraente sem esforço. Afinal, ele ainda tinha aquele tipo de rosto que atraía atenção sem tentar.
Várias mulheres que passavam por ele diminuíam o passo, sorrindo e lançando olhares de flerte. Uma até sussurrou para a amiga: "Meu Deus, ele é muito gato".
Senti pena delas, de verdade. Havia algo cruelmente irônico nisso. Charles tinha o tipo de aparência que faria qualquer mulher virar a cabeça, mas como eu deveria dizer a elas que o homem por quem estavam babando não estava interessado nelas? Ele se interessava pelo sexo oposto.
Meu olhar subiu e os olhos de Charles encontraram os meus. Por um momento, os lábios dele se contraíram. Ele arqueou uma sobrancelha, olhando-me de cima a baixo, e então sorriu plenamente.
Ele acenou com a mão como uma criança animada que acaba de avistar seu brinquedo favorito.
— Grace, estou aqui!
As palavras ecoaram pelo lobby e todos se voltaram para nós.
Fechei a mão com força, minha mandíbula endurecendo enquanto os sussurros se espalhavam pela sala.
— Hein, o que está acontecendo?
— Essa mulher conhece ele?
— Acho que sim. Acho que já a vi perto do chefe e do River. Estou curiosa, o que ela tem de tão especial? Por que todos os homens gatos estão sempre em volta dela?
Ignorei a todos. Suas vozes tornaram-se ruído de fundo enquanto eu caminhava direto para Charles.
Ele abriu a boca para dizer algo, mas não dei chance.
Segurei sua mão e sibilei baixinho:
— Venha comigo.
E o arrastei para fora da empresa antes que ele pudesse atrair ainda mais atenção.
O ar fresco atingiu meu rosto no momento em que saímos. Não olhei para Charles a princípio, apenas continuei andando, meus olhos varrendo a rua até avistar um pequeno café do outro lado.
Sem perder um segundo, fui direto para lá, meus saltos estalando contra o pavimento. Charles seguiu silenciosamente atrás de mim, confiando na minha liderança.
O sino acima da porta do café tocou suavemente quando o empurrei. O lugar estava vazio, exceto por um senhor sentado perto da janela, com um jornal sobre o rosto, como se tivesse caído no sono no meio da leitura. Estudei-o por um momento; ele não parecia alguém da empresa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Me Satisfaça, Daddy
História muito boa, me prendendo em casa capítulo.amando...