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Me Satisfaça, Daddy romance Capítulo 105

Ponto de vista de Grace.

Você já esteve em uma situação em que dezenas de olhos estavam em você ao mesmo tempo? Porque era assim que eu estava: sentada ali enquanto pessoas ricas e importantes me olhavam como se eu não passasse de uma ovelha prestes a ser abatida.

Meus dedos apertaram a saia sob a mesa. Ah, mas que inferno. Isso era insuportável. E por que diabos o Austin fez parecer que eu fora a única a fazer tudo? Eu apenas disse ao Apollo o que pensava; ele é quem realmente foi lá, fez o que quer que tenha feito e descobriu a verdade.

Arrisquei um olhar para ele. Apollo estava sentado casualmente, como se estivesse completamente alheio à tempestade em que me jogara. Eu nunca me sentira assim antes, mas, pela primeira vez na vida, tive uma vontade real de dar um tapa na cabeça dele.

— Ela? Você está falando sério? — Um diretor debochou, com a voz cortante.

— Ela resolveu o problema? Ouvi os boatos, mas achei que fossem apenas boatos. Como ela poderia fazer isso?

Outro inclinou-se para frente, franzindo a testa.

— Pois é. Isso é suspeito. Como ela pode resolver algo que funcionários experientes não conseguiram? Como você tem certeza de que ela não faz parte do esquema?

— Sim. — Acrescentou outro.

— Ela poderia ser um membro. Deveríamos investigá-la.

As vozes aumentaram, sobrepondo-se enquanto os diretores começavam a falar todos ao mesmo tempo. Meu mundo caiu, mas não disse uma palavra. O que eu poderia dizer? "Não estou envolvida, não fiz nada de errado"? Falar demais não adiantaria; pessoas como eles acreditavam no que queriam. Quanto mais eu tentasse me defender, mais culpada pareceria.

Ao meu lado, Chase franziu a testa, murmurando entre dentes:

— Que bando de gente louca, culpando os outros de cara. Não dê ouvidos a eles, Grace.

Assenti.

— Não vou dar.

Eu percebia que eles odiavam o fato de eu continuar ali sentada em silêncio, recusando-me a implorar ou negar. Provavelmente queriam que eu me humilhasse, que desabasse, mas eu não faria isso. Depois de Charles e sua família, prometi a mim mesma que ninguém nunca mais controlaria minha vida daquela forma.

Um homem subitamente esmurrou a mesa e se levantou num salto. Sua voz estalou pela sala:

— Como você ousa continuar sentada aí? Acha mesmo que não vamos te investigar? Chase, chame a segurança agora mesmo!

Chase não se mexeu. Apenas ficou ali, encarando o homem como se não o estivesse ouvindo.

O rosto do diretor ficou vermelho.

— Seu idiota! Eu sou mais importante que você. Chame a polícia para essa mulher estúpida e tire-a daqui.

Chase continuou sem responder. Apenas inclinou a cabeça, como se realmente não conseguisse entender. Olhei para ele, surpresa. Eu apreciava o que ele estava fazendo, mas ele não teria problemas por ignorar um diretor daquele jeito?

O diretor ia dizer mais alguma coisa quando uma voz grave cortou o ar.

— Você tem muita coragem para falar com ela desse jeito.

A voz de comando ecoou pelo salão de conferências. Todos congelaram, inclusive eu.

Todos os olhos se voltaram para Apollo, que continuava sentado, seu olhar sombrio fixo no homem.

O homem piscou para Apollo, completamente desconcertado.

— O-o quê?

Apollo recostou-se na cadeira, cruzando os braços sobre o peito em um gesto que fez todos os outros na sala encolherem.

— O que te deu esse direito?

O diretor engoliu em seco, as mãos tremendo ao lado do corpo.

— Eu... senhor, eu só estava preocupado que o senhor pudesse confiar na pessoa errada. Como diretor, tenho que garantir que ninguém conspire contra a empresa. — Ele sorriu.

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