"Então, esses dias todos você ficou me pintando só pra vender?"
Julieta ainda não tinha percebido a gravidade da situação, continuava falando despreocupada.
"Sempre achei que ter um rosto bonito não servia pra nada, mas agora vejo que beleza realmente pode virar comida na mesa. Olha só, tenho um quadro indo pra leilão, já estão pagando cento e cinquenta mil por cada um. Antigamente, meu marido—"
Hmm—
Julieta nem terminou de falar, sentiu algo macio nos lábios, e todo o seu corpo foi envolvido por Hugo.
Ele a beijava tão intensamente que ela ficou completamente desnorteada.
"Sabe o que os funcionários daqui de casa contam quando voltam pra suas famílias?"
Eles invejam demais o senhor, dizem que Dona Luz ama o marido de paixão, que quando ele está em casa, o casalzinho é puro carinho, e quando ele vai trabalhar, a senhora passa o dia matando a saudade com os retratos do esposo, pintando seu rosto todos os dias.
Ao ouvir isso, ele não pôde evitar um certo orgulho, mas não imaginava que o entusiasmo de sua esposa por pintá-lo era para "vender", e isso o deixou sem palavras.
"E—e o que eles dizem?"
Ela já estava quase sem ar de tanto beijo, e Hugo, naquele momento, quis castigá-la, mas quando levantou a mão, não teve coragem nem de dar um tapinha; só pôde puni-la com mais beijos.
"Deixa pra lá, melhor nem repetir."
Que vergonha.
Ele olhou para ela: "Você está precisando de dinheiro ultimamente?"
Ora, o que ele dava de mesada não era pouco: trezentos mil por mês, além do cartão black sem limite.
Tirando as coisas que comprou pros dois filhos que estavam pra nascer, ele não tinha visto ela comprar mais nada.
"Não—ah."
Julieta ainda não tinha entendido o problema dele.
Até que Hugo deixou claro, quase escrevendo o protesto no rosto.
"Quero de volta meu direito de imagem, vamos apreciar só entre nós, pode ser, minha querida? Você gosta tanto de me vender pra essas fãs malucas na internet… e se aparecer algum doido?"
Só de pensar que alguém pudesse fantasiar com seu rosto, Hugo já sentia arrepio.
Julieta finalmente entendeu sua preocupação, e não conseguiu segurar o riso.
"Vamos esperar você dar à luz. Não quero te machucar, nem ao bebê."
Julieta, com o rosto vermelho, se aproximou e lhe deu um beijo, depois sussurrou ao ouvido: "Mas existem outros jeitos…"
Hugo entendeu na hora, mas recusou.
"Não quero te constranger."
Aquele jeito até ajudaria a aliviar um pouco, mas Hugo não queria incomodá-la. Aquela mulher era preciosa demais pra ele. Se precisava aguentar, ele aguentava, afinal, não era um animal movido só pelo instinto.
Julieta ficou vermelha até as orelhas: "Não é nada demais, só dessa vez. Quero ver você feliz."
Mas Hugo não cedeu. Depois de meia hora de carinhos na cama, ele levou Julieta para passear no jardim.
O cachorro branco seguia atrás deles, correndo de um lado para o outro, fazendo a maior festa.
"Juli, daqui a uns dias talvez eu precise viajar a trabalho, vou ficar fora por alguns dias."
Julieta não esperava que ele fosse sair de repente, ficou surpresa.
"Pra onde vai, por quanto tempo, vai fazer o quê? Eu quero ir também."

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