Na lista de convidados para o banquete de hoje, Vinicius lembrava-se claramente de que não havia convidado Hugo para participar. Então, por que Irineu estava ali?
Ou será que Hugo já havia previsto o que iria acontecer hoje? Será que ele veio apenas para assistir à desgraça alheia ou para comprovar o próprio sucesso?
Quando Vinicius percebeu o que estava acontecendo, já era tarde demais. No caminho até a delegacia, ele não podia fazer nada; até o celular estava sob custódia temporária.
"Foi o Hugo, não foi? Foi ele quem me caluniou. Digam, foi ele?"
Vinicius estava furioso. Ele também já tinha ouvido falar um pouco sobre a prisão de Júlia, e ainda zombava daquela mulher inconsequente, que não só arquitetou o plano para Hugo pular no mar, mas também ousou provocar a Família Reis, de Cidade Perene.
Ele havia apenas forjado uma transferência bancária falsa, o que levou Júlia, sem pensar nas consequências, a tentar matar Hugo. Realmente, aquela mulher era de uma estupidez inacreditável.
Jamais pensou que o destino daria a volta tão rápido, e agora a justiça recaía sobre ele mesmo — o bumerangue retornara, atingindo-o em cheio.
Vinicius estava agitado, mas ninguém lhe deu atenção até que o carro chegou à delegacia.
Levado ao centro de detenção, Vinicius disse ao comandante que o escoltava: "Entrem em contato com meu advogado imediatamente, quero falar com ele."
O comandante olhou para ele: "Pode chamar seu advogado, mas só depois de prestar depoimento. Daqui a pouco alguns colegas vão passar para te fazer umas perguntas."
Vinicius, astuto como sempre, sabia melhor do que ninguém que, se dissesse uma palavra errada, poderia acabar na prisão para o resto da vida, sem nunca mais sair.
"Não venham com esse papo. Eu não cometi crime algum, não têm motivo para me interrogar. Só vou falar depois que meu advogado chegar."
O comandante lançou um olhar profundo para Vinicius e deixou apenas duas palavras:
"Como quiser."
Depois saiu, deixando Vinicius sozinho na cela fria, ignorado por todos.
Ao mesmo tempo, Dona Ulhoa e Laercio, tomados pela indignação, preparavam-se para entrar no carro e ir embora.
Irineu já os aguardava ali. Ao vê-lo, Dona Ulhoa pareceu compreender tudo.
Diretor Macedo ainda estava transtornado com a abordagem dos policiais, apertando o peito, sentindo-se mal. Dona Ulhoa então mandou alguém levá-lo de volta para casa.
Se sua empresa está com problemas, talvez seja por má administração do Sr. Ulhoa ou algum erro cometido anteriormente, que agora está sendo investigado. Não é culpa do nosso Diretor Luz."
Dona Ulhoa lançou um olhar duro a Irineu, desconfiada de suas palavras:
"Não adianta argumentar, não vou cair na sua lábia."
Irineu respondeu:
"Hoje, gostaria de levar Dona Ulhoa a um lugar, para que conheça algumas pessoas."
Dona Ulhoa olhou para Irineu, desconfiada.
"O que você quer? Não pense que pode me enganar. Sei muito bem dos ataques recentes que seu Diretor Luz e Dona Luz sofreram."
O caso de Hugo e Julieta — o acidente de Julieta ao cair no mar e seu sequestro — já era notícia em toda Cidade Begônia, inclusive com Júlia identificada como a criminosa.
Apesar de Júlia já ter sido presa, Dona Ulhoa, depois de tudo o que viu, não ousava confiar em Irineu nem acompanhá-lo.

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