— Pelo menos vocês não deveriam me tratar assim! — Sandra respirou fundo.
— Não tenho tempo para acertar essas contas com você agora. Se você insiste nisso, espere até amanhã, quando eu estiver livre...
— Eles roubaram a minha casa com mentiras. Foi ideia sua?
— O que você disse? — A mãe de Sandra paralisou por um instante.
— Aquela casa que eu comprei no interior... A Fabiola disse que a Família Luz exigiu que a nossa família desse uma casa como dote. Ela falou para eu transferir a casa para o nome dela e que me devolveria depois do casamento. Mas a Família Luz nunca pediu dote algum! Ela e o pai se uniram para me enganar! Só que eu me recuso a acreditar que eles fariam isso comigo. Com certeza foi ideia sua!
A mãe de Sandra respirou fundo várias vezes. As emoções em seus olhos oscilaram antes de se fixarem apenas em repulsa.
— Qualquer um consegue tirar uma casa de você com apenas algumas palavras. Você não tem cérebro?
— Eles não são "qualquer um", são o meu pai e a minha irmã!
— A família, muitas vezes, é a pior de todas!
— Então... Então eles realmente me enganaram? E você... você também não sabia de nada?
— Vamos falar sobre isso amanhã. Vá embora por agora! — A mãe de Sandra fechou os olhos por um momento.
— Não! Eu tenho que tirar isso a limpo com eles agora mesmo!
— Eu já disse que temos visitas em casa!
— Sou tão impresentável assim? Você não pode simplesmente me apresentar de cabeça erguida?
— É o Patrick!
Sandra ficou atônita por um instante. Era mesmo ele.
Pensando bem, fazia sentido. Ele e a Fabiola se casariam em breve. Depois do casamento, ele seria o genro da família e, naturalmente, os visitaria com frequência.
— Por isso, vá embora agora. Eu te darei uma explicação depois.
— Eu não vou embora. Exijo uma explicação hoje mesmo — disse Sandra, balançando a cabeça após permanecer em silêncio por um momento.
Sandra virou-se bruscamente, encarando a mãe.
— Se eu não tivesse terminado com ele naquela época, seria eu sentada ao lado dele agora. E vocês não me tratariam desse jeito, não é?
— De que adianta falar sobre isso agora? — A mãe franziu a testa.
— Se eu me casasse com ele, vocês fariam de tudo para me agradar. Longe de me enxotar, vocês até me colocariam num pedestal.
— Nós não somos tão interesseiros assim!
— Eu me arrependo agora. Eu não deveria ter terminado com ele, muito menos ter ido trabalhar no exterior para pagar as dívidas do Breno Almeida, bancar os estudos da Fabiola e pagar pelo seu tratamento médico. Todo o meu sacrifício foi jogado aos cães, cães ingratos.
— Suba imediatamente!
Sandra soltou um suspiro melancólico e, em seguida, virou-se para subir as escadas.
Ela se arrependia, se arrependia de verdade.

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