— Espere um pouco, você disse que esse é o dote que a Família Luz exigiu? — perguntou Serena, erguendo uma sobrancelha.
— Foi isso que o meu pai e a minha irmã disseram — assentiu Sandra.
— Não pode ser. Com o status da Família Luz, se eles se importassem com o dote da noiva, não teriam escolhido a sua família. E se não se importam, então não há necessidade alguma de exigirem essa casa — ponderou Patrícia.
Serena concordou com a afirmação. Ela pensou por um instante e ligou para Elvis.
— Meus tios não concordavam com esse casamento, mas o meu primo insistiu que queria casar com Fabiola. Como não conseguiram impedi-lo, acabaram aceitando.
— Dote? A Família Luz sabe muito bem qual é a situação da Família Almeida, eles não pediram dote nenhum.
— Tenho certeza absoluta, eu acompanhei todo o processo do casamento do meu primo.
Após a ligação, a situação ficou praticamente clara.
— O seu pai e a sua irmã usaram o dote como desculpa só para arrancar aquela casa de você! — Rogério estava tão furioso que parecia querer bater em alguém. — Você ainda não percebeu?
Sandra balançou a cabeça, recusando-se a acreditar.
— A Fabiola não me enganaria. Qualquer pessoa poderia me enganar, menos ela!
— Se ela consegue continuar estudando com a consciência tranquila, até fazer pós-graduação, e seguir te pedindo dinheiro sem parar, mesmo sabendo o quanto você suou para ganhar cada centavo, então ela não presta! Eu já te disse isso mais de uma vez, mas você simplesmente se recusa a acreditar!
Rogério rangeu os dentes de tanta raiva.
— Eu vou perguntar a ela agora mesmo! — Sandra levantou-se abruptamente.
Dito isso, ela virou-se e saiu.
Preocupada, Patrícia deu uma recomendação a Serena e logo foi atrás dela.
Ao chegarem à residência da Família Almeida, Sandra pediu que Patrícia esperasse no carro e seguiu sozinha.
Ela bateu na porta por um bom tempo até que a empregada finalmente apareceu.
— Nossa, por que você veio aqui de novo? — A mulher franziu a testa.
— Eu quero ver a Fabiola!
— A senhorita não está em casa.
— Então eu quero ver o meu pai!
— O senhor também não está em casa.
Ao ver a filha, ela exibiu uma expressão de profundo nojo, sem sequer tentar disfarçar.
— O meu pai e a Fabiola estão em casa, não estão? — Sandra respirou fundo.
— Temos convidados, eles não têm tempo para ver você! — A mãe de Sandra franziu a testa.
— Eu posso esperar.
— Vá embora primeiro, eu peço para eles te ligarem mais tarde.
— Eu vou esperar bem aqui!
— Você! — A mãe de Sandra ficou lívida de raiva. — Você não entende o que eu digo? Temos visitas em casa, visitas muito importantes, e você fica bloqueando a porta. Está fazendo isso de propósito para nos envergonhar, não é?
— Vocês ainda têm vergonha na cara?
— O que você quer dizer com isso?
— Naquela época, para pagar os estudos da minha irmã, eu...
— Chega, vai jogar isso na nossa cara de novo? Quer que a gente se ajoelhe aos seus pés para você ficar satisfeita?

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