À noite, Sandra recebeu uma ligação do pai, pedindo que ela fosse jantar em casa.
Na família, ela era mais próxima da irmã, depois do pai, e só por último da mãe.
A irmã e o pai desejavam que ela voltasse a morar em casa, mas apenas a mãe demonstrava desgosto evidente no rosto, e até já tinha dito pessoalmente que não queria vê-la e que a achava irritante.
— Pai, acho melhor eu não voltar.
— Hoje é o aniversário da sua mãe, você se esqueceu?
Sandra apertou os lábios; ela não tinha esquecido, mas sabia que a mãe não queria vê-la. Para que deixá-la infeliz bem no dia do seu aniversário?
— Venha, foi a sua mãe quem me pediu para te ligar.
O coração de Sandra bateu mais forte. A mãe tinha pedido para ela ir para casa?
Naquele dia em que Fabiola a puxou para casa, a mãe não disse nada à noite, mas na manhã seguinte a chamou para o lado de fora e disse para ela não voltar nunca mais.
Na época, ela sentiu um ódio profundo e perguntou à mãe por que estava a tratando daquele jeito.
— A filha de uma família como a nossa ganhava a vida vendendo o próprio corpo! Se as pessoas descobrirem, onde vamos enfiar a cara? Como o seu pai vai sair na rua para negociar com as pessoas?
— Mas foi para pagar os estudos da minha irmã, para pagar as dívidas da família, eu...
— Nós não pedimos para você se vender, você fez isso porque não presta!
— Quando vocês me pediam dinheiro, não achavam que eu era uma vergonha? Agora que o meu pai reergueu os negócios, vocês têm vergonha de mim? Como puderam fazer isso comigo? Eu odeio você, odeio todos vocês!
Naquela manhã, ela fugiu chorando.
Mas depois Fabiola a encontrou, e ao saber o que a mãe havia dito, a abraçou aos prantos, pedindo perdão. Ainda pediu que ela ficasse, dizendo que, a partir dali, ela cuidaria da irmã mais velha.
Sandra não conseguiu sentir raiva da irmã, então acabou restabelecendo contato com ela.
Agora o pai pedia que ela voltasse, e ela estava com muito medo... medo de ser expulsa pela família mais uma vez!
— Foi mesmo a minha mãe quem pediu para você me ligar? — Sandra não resistiu em perguntar novamente.
Sandra apenas acenou com a cabeça, não disse nada, contornou a mulher e entrou.
Não havia ninguém na sala do primeiro andar, mas ela viu o pai e a irmã sentados nas cadeiras do quintal, parecendo ter uma conversa séria.
Ela caminhou em direção ao quintal, a porta estava aberta, e acabou ouvindo a voz de Fabiola.
— A minha irmã é tão boa para mim, como eu vou ter coragem de colocá-la em uma situação difícil!
O pai de Sandra apressou-se a dizer:
— É só pegar a casa dela emprestada. Depois que você se casar, é só transferir a casa de volta para o nome dela. Se a Família Luz não tivesse exigido uma casa como dote, nós nem precisaríamos incomodar a sua irmã.
— Não, eu não tenho coragem de pedir.
— Ela é sua irmã, basta você pedir, ela com certeza vai nos ajudar com isso.
— Ela é minha irmã, mas não me deve nada, por que eu exigiria que ela ajudasse?! Se a Família Luz quer tanto esse dote, então prefiro não me casar mais!

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