Como Rogério havia dito, ele realmente estava com vontade dela havia muito tempo, e, uma vez que o jejum foi quebrado, não seria com uma ou duas vezes que ele ficaria satisfeito.
Mas, mesmo insatisfeito, ele teve que se conter, pois Grace bateu na porta novamente.
Meia hora depois, a família de três pessoas finalmente entrou no carro.
Grace fez um biquinho, olhou feio para Patrícia e, em seguida, olhou feio para Rogério.
— Vocês dormiram a tarde inteira! Ninguém brincou comigo! Eu chamei e vocês ainda ficaram enrolando, demoraram um tempão para se vestir e sair!
Patrícia deu uma tosse seca, abraçou Grace e pediu desculpas.
A garotinha era muito fácil de agradar; assim que ouviu a mãe dizer que iriam ao shopping comprar um brinquedo depois, ela ficou radiante na mesma hora.
Rogério olhou para a mãe e a filha no banco de trás pelo espelho retrovisor. Sem saber exatamente desde quando, ele de repente passou a sentir o calor de um lar. Ele era um membro daquela família, um membro muito importante.
A caminho do restaurante, Sandra ligou para Patrícia.
Ao saber que Rogério já havia voltado para casa, Sandra pediu a Patrícia que passasse o telefone para ele.
— Quantos anos você tem, porra, para ficar brincando de sumir! Achei que você tivesse se jogado no mar ou morrido em alguma floresta no meio do nada. Eu até planejava fazer um altar para você e rezar de vez em quando, e agora você volta vivo!
— Quem foi que disse há poucos dias que era um homem de família, falando sobre responsabilidade e compromisso? Falou tão bonito que eu até acreditei, porra! Você não passa de um caso perdido tentando se dar bem, deveria era voltar para o nosso esgoto!
Rogério até achou graça ao ouvir os xingamentos de Sandra: — Você está me xingando e se xingando ao mesmo tempo?
— É claro que eu tenho que me xingar, como fui capaz de me preocupar com você!
— Certo, agradeço pela sua preocupação! Nós vamos sair para comer agora, quer vir junto?
Rogério riu: — Fique tranquila, eu absolutamente não tenho esse tipo de intenção com ela.
Quando chegaram do lado de fora do condomínio de Sandra, ela já estava lá esperando por eles. Ela se recusou a sentar no banco do carona e acabou se espremendo no banco de trás com Patrícia e a filha.
Grace demonstrou um interesse enorme pelas roupas dela — uma jaqueta de couro combinada com um vestido floral —, pelo cabelo volumoso e chamativo e por todos aqueles acessórios brilhantes, como os piercings na orelha, no lábio e o colar no pescoço enfaixado.
— Tia, você está usando uma camisola? Uau, o seu cabelo deixa a sua cabeça enorme, parece um urso de pelúcia! Não dói colocar um prego no lábio? Não dói na hora de comer?
Sandra costumava ser o tipo de pessoa que não se importava com as aparências e agia de forma imprudente, mas, naquele momento, diante da inocente e adorável Grace, ela ficou surpreendentemente tímida.
— Eu também não sei se isso é uma camisola, comprei num camelô por dez reais. Acabei de tingir e fazer permanente no cabelo, realmente ficou meio exagerado, nem eu gostei muito. O piercing no lábio? Na verdade, dói bastante, então você nunca deve colocar um no futuro.
— Mas, tia, você é tão bonita!

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