Patrícia então cortou aquele pedaço e o colocou em uma caixa. Ela olhou para Bryan; ele não ficou bravo por causa disso, e até ajudou a colocar na sacola, dizendo a Grace para não esquecer de levar quando fossem embora.
— O Rogério não deve sair tão rápido assim — Bryan sussurrou para Patrícia assim que virou o rosto.
Patrícia franziu o cenho. — O que você quer dizer?
Bryan deu de ombros. — Mesmo que ele não seja o organizador, nem um dos participantes diretos, a polícia precisa investigar. Deixá-lo detido por alguns dias é o procedimento padrão. Quando ele sair, esse bolo já vai estar estragado, impróprio para comer.
— E você fica feliz com isso?
— O bolo que eu e minha filha fizemos... por que eu deixaria ele comer?
Além do bolo, Bryan foi pessoalmente para a cozinha e preparou alguns pratos, e ainda entregou solenemente o presente que havia preparado. Um colar de esmeraldas valiosíssimo. Ela olhou uma vez e o empurrou de volta.
— Esse presente é muito caro, não posso aceitar.
Bryan não disse nada, apenas pegou o colar, levantou-se e foi até atrás dela para colocá-lo em seu pescoço.
— Bryan, eu não quero as suas coisas! — Patrícia recusou.
Bryan se inclinou. — Você esqueceu de novo que o Rogério ainda está lá dentro?
Patrícia ficou sem palavras. Ele a ameaçava com o Rogério vez após vez, qual era a graça disso?
Bryan acabou colocando o colar nela e ainda serviu muita comida em seu prato, dizendo que eram suas especialidades, pratos que ele tinha aprendido a fazer só para cozinhar para elas, mãe e filha.
— Grace, está gostoso? — Bryan virou-se e perguntou a Grace.
Grace era uma formiguinha, comia com gosto. — Está uma delícia!
— Então o papai vai fazer sempre para você, tá bom?
— Não.
Bryan franziu levemente a testa. — Por que não?
— O papai disse que coisas gostosas a gente não pode comer sempre, senão logo enjoa.
— Hã, então você vai ter uma grande decepção.
Bryan cumpriu a promessa, e no dia seguinte Patrícia recebeu um telefonema da delegacia. Ela correu para lá, mas era apenas para pagar a fiança. O policial responsável disse que Rogério de fato não havia organizado nada, nem fazia parte daquele grupo, tendo ido lá apenas para encontrar um amigo, mas que ele realmente havia tido relações com uma mulher.
— Não pode ser, vocês deveriam investigar melhor...
— Ele mesmo confessou.
Patrícia franziu a testa. — Você disse que ele confessou?
— Exato. Como o caso dele não é grave, você paga a multa e pode levá-lo embora.
Patrícia pagou a fiança e, pouco tempo depois, Rogério saiu, com a cara abatida e suja. Ao vê-la, ele ainda tentou parecer relaxado, sorrindo para ela. Mas Patrícia não estava de bom humor; lançou-lhe um olhar frio e virou-se para sair.
Durante todo o caminho, Patrícia não falou com ele.
Assim que chegaram em casa, Patrícia se virou e questionou: — Então você realmente teve relações com aquela mulher lá dentro?

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