— Mas que desperdício.
— É a primeira vez que você faz um bolo, não é?
— É.
— Por isso você já se saiu muito bem, da próxima vez vai ficar melhor ainda.
Grace ficou feliz com o elogio e continuou a mexer a massa com dedicação.
— Eu quero fazer um bolo bem grandão, para comemorar o aniversário da mamãe, e também guardar um pedaço grande para o papai.
— Obrigado.
— Eu tô falando do meu pai, não de você.
Patrícia sentiu o coração disparar, com um pouco de receio de que Bryan se irritasse com Grace.
— Por que você gosta dele? — Bryan não se irritou, apenas perguntou muito sério para Grace.
Grace respondeu sem pensar duas vezes: — Porque o papai é bom pra mim.
— Eu também sou bom pra você, mas você não gosta de mim.
— Mas o meu pai é melhor comigo.
— Então, se eu for melhor com você do que ele, você vai querer que eu seja seu pai?
— Não pode.
— Por quê?
— Eu já tenho um pai. Se eu chamar outra pessoa de pai, ele vai saber e vai ficar triste.
Grace recusou com firmeza. Não importava como Bryan tentasse envolvê-la, ela se mantinha firme ao lado de Rogério.
Bryan tinha paciência de sobra. Apesar de ter sido rejeitado várias vezes por Grace, não ficou bravo.
— Agora nós vamos bater as claras em neve. Você quer fazer isso comigo?
— Posso?
— Claro.
Bryan abraçou Grace por trás, deixando que ela também segurasse o cabo da batedeira, e juntos bateram as claras. Conforme a espuma branca aumentava, os olhos de Grace brilhavam cada vez mais.
— Nossa, fazer bolo é tão simples assim.
— Hoje é meu aniversário? Nossa, eu tinha até esquecido!
— Mamãe, feliz aniversário!
Assim que Grace terminou de falar, começou a cantar parabéns. Bryan saiu da escuridão nesse momento, parou atrás de Grace e cantou junto com ela. Quando a música acabou, ele olhou para ela e disse com profundidade: — Patrícia, feliz aniversário.
O sorriso de Patrícia diminuiu um pouco. Ela não respondeu, apenas puxou Grace para soprarem as velas juntas.
Sopraram as velas e acenderam as luzes.
Patrícia então viu o bolo que eles tinham feito e quase não conseguiu segurar o riso. O chantilly do bolo já tinha desabado, e aquele amontoado em cima era para ser uma flor? Se não olhasse com atenção, parecia alguma coisa bem nojenta.
— Mamãe, fui eu que fiz esse bolo, viu? Você gostou? — Grace perguntou, olhando para cima.
Patrícia pigarreou. — Claro que gostei, obrigada, meu amor.
— Então corta o bolo logo, mas tem que separar aquele pedaço.
Vendo que Grace apontava para o amontoado vermelho, Patrícia imediatamente separou aquela parte.
— Esse pedaço eu vou guardar para o papai, ele com certeza vai gostar.

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