— De quem você está falando?!
Rogério jogou a peça de volta na cabeça dela. Patrícia, vendo que ele ousara revidar, correu até ele e tentou enfiar a peça na calça dele.
— Ei, você está passando dos limites!
— Você não gosta? Por que não veste para eu ver?
— Sai fora! Já disse que não curto essas coisas!
— Engana outro. Aposto que adora usar isso escondido.
— Eu já disse que nunca usei!
Rogério, incapaz de se explicar, irritou-se e derrubou Patrícia no sofá, ficando por cima dela. Ele abaixou a cabeça e mordeu o queixo dela.
— Ai! Doeu! — Patrícia deu um tapa no rosto dele.
Rogério ficou ainda mais irritado.
— Você me deu um tapa?!
Ele beliscou a cintura de Patrícia várias vezes. Ela, sem saber se sentia dor ou cócegas, tentava se esquivar. Como seus corpos estavam colados, a respiração de Rogério logo ficou pesada.
— Para de se mexer.
Patrícia percebeu a mudança e tentou empurrá-lo.
— Me solta.
Rogério, com os olhos vermelhos, encarou Patrícia.
— Você fez de propósito, não fez?
— Eu não fiz nada!
Rogério não resistiu e se aproximou mais. Quando estava prestes a tocar aqueles lábios vermelhos, Patrícia virou o rosto. Ele então encostou a testa na lateral do rosto dela, inalando profundamente o cheiro dela, como se estivesse viciado.
— Que sabonete você usa? Por que é tão cheiroso?
— Você está me apertando muito.
— Você sabe o quanto eu desejo isso, não sabe?
— Eu sou igual àquelas mulheres?
— Ele é mesmo habilidoso, consegue levar até atriz para a cama.
O rosto de Patrícia fechou.
— Rogério está no quarto. Vou chamá-lo. Você fala com ele.
— Então peço que você saia primeiro.
— Por que eu deveria sair?
— Porque nós não temos apenas coisas para falar, temos coisas para fazer. Você entende o que quero dizer, né?
Patrícia entendeu perfeitamente, mas não pretendia perder tempo com aquela mulher, então virou-se para ir ao quarto principal. A mulher, porém, foi mais rápida, correu na frente dela e entrou no quarto, acenando para trás enquanto dizia:
— Tchauzinho, irmã. A gente brinca pesado. Você já tem uma certa idade, melhor cuidar do corpo e ter menos curiosidade.
Patrícia sentiu uma pontada no peito de tanta raiva. Foi a primeira vez que alguém a chamou de velha.
A mulher entrou no quarto toda triunfante. Patrícia decidiu que não ia engolir aquela afronta e entrou logo atrás. Lá dentro, a mulher já tinha se jogado nos braços de Rogério e estava fazendo de tudo para seduzi-lo.
— Sr. Rogério, quem é aquela velha lá fora? Sua nova conquista? Ah, não aceito! Eu é que sou o bebezinho do Sr. Rogério!

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