Patrícia contornou a mulher e entrou. Viu Rogério deitado na cama bagunçada fumando um cigarro. Ao vê-la, ele riu com escárnio.
— Não tenha pressa, deixa eu recuperar o fôlego primeiro.
Patrícia ignorou o deboche. Virou-se e entregou um maço de dinheiro recém-sacado do banco para a mulher.
Ao ver aquele maço grosso, os olhos da mulher brilharam.
— Pode ser?
A mulher pegou o dinheiro rapidamente.
— Pode, claro! Vou me vestir e sair agora mesmo!
Com medo de que Patrícia mudasse de ideia, a mulher vestiu as roupas de qualquer jeito e correu para fora.
Rogério praguejou:
— Eu nem tinha terminado de me divertir.
Ele havia demitido Renan Souza e Olívia, e só então teve tempo para procurar mulheres. Mas, antes de se satisfazer, alguém veio atrapalhar. Claro que ele não estava feliz.
— O que você quer, afinal?
— No telefone, você não disse que queria que eu me juntasse? — Patrícia jogou a bolsa e o celular de lado e começou a tirar a roupa. — Eu vim. Quero ver se você tem coragem.
— Coragem de quê? — O cérebro de Rogério demorou a processar.
Patrícia caminhou até Rogério, colocou as mãos em seus ombros e o puxou para si.
— Claro, se você não quiser me tocar, eu não vou forçar.
O nariz de Rogério tocou a pele macia dela, e sua respiração foi invadida pelo perfume que ela exalava. Seu coração disparou e um desejo intenso surgiu.
Ele já havia dormido com muitas mulheres, mas a única noite que ele considerava inesquecível foi aquela de seis anos atrás. Lembrava-se de quase ter morrido de prazer com ela. Incontrolavelmente, estendeu a mão para segurar o corpo dela.
Mas, quando sua boca estava prestes a se aproximar, Patrícia o empurrou.
— Você...
No momento seguinte, Patrícia sentou-se sobre ele, olhando-o nos olhos. Ele podia ver a ondulação de emoções no olhar dela.
— Case-se comigo.
— Pouco me importa o que você quer, vou comer primeiro e conversar depois!
Ele abaixou a cabeça e mordeu Patrícia, iniciando um ataque feroz.
Patrícia não pôde deixar de lembrar daquela noite seis anos atrás. Ela ficou assustada com a voracidade dele; no início estava tensa, mas depois só conseguia implorar. Assim como agora, sentia-se como se estivesse sendo devorada por um lobo, em pânico e com medo, pedindo apenas que ele fosse mais devagar, que tivesse piedade dela.
Claro que ele não a poupou. Só quando a consumiu completamente é que se deitou satisfeito ao lado dela.
Patrícia queria se levantar para se lavar, mas ao se mexer sentiu dor no corpo todo, como se seus ossos tivessem sido triturados por ele.
Irritada, ela virou-se e deu um tapa nele.
Rogério, saciado e de bom humor, até se aproximou para deixá-la bater mais.
— Você concordou comigo agorinha...
— Eu não concordei com nada.
Patrícia arregalou os olhos.
— Você claramente concordou em se casar comigo.

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