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Esposa Temporária:Ele me vê como um nada, mas precisa de mim romance Capítulo 19

O silêncio entre nós ainda vibra no ar quando, de repente, ouvimos passos rápidos vindo do corredor. Eu mal tenho tempo de entender o que está acontecendo quando uma pequena figura aparece correndo como um foguete.

— PAPAI!

Leo surge como um furacão, abraçando a perna de Gabriel com tanta força que quase o desequilibra. Eu dou um pulo para o lado, como se tivesse sido pega fazendo algo ilegal — o que, considerando o beijo de alguns segundos atrás, talvez não esteja muito longe da verdade.

Gabriel pisca algumas vezes, claramente voltando do momento tenso que acabávamos de viver. A expressão dura dele suaviza quase instantaneamente quando olha para o filho.

É estranho ver isso.

O CEO frio desaparece.

No lugar dele surge apenas… um pai.

— Leo — ele diz, colocando a mão na cabeça do menino. — Achei que estivesse com a Sra. Silva.

— Eu estava! — Leo responde, ofegante. — Mas eu queria mostrar uma coisa!

Ele levanta uma folha de papel completamente amassada. Gabriel pega o desenho, observando com uma atenção que eu não esperava. Aproximo-me um pouco, curiosa.

É um dinossauro.

Um dinossauro extremamente torto.

Com quatro olhos.

E o que parece ser… três rabos.

Não consigo evitar.

— Esse dinossauro parece ter passado por uma fase difícil da vida.

Leo me olha, escandalizado.

— Ele está correndo!

— Ah — digo, tentando parecer séria. — Faz sentido. Eu também ficaria assim se tivesse três rabos.

Leo arregala os olhos e começa a rir.

Gabriel me lança um olhar de advertência… mas há um brilho divertido no fundo dos olhos dele.

— Ana Clara.

— O quê? Estou apenas analisando artisticamente.

Leo se vira para mim, animado.

— Ela disse que vai me ensinar a pintar dinossauros!

Gabriel levanta uma sobrancelha.

— Disse?

Cruzo os braços.

— Disse.

— Interessante.

— Por quê?

Ele me observa por um momento longo demais.

— Porque você ainda não começou a trabalhar oficialmente aqui.

— Então considere isso um investimento no desenvolvimento artístico da nova geração.

Leo levanta o desenho como um troféu.

— Eu quero pintar um T-Rex gigante!

— Excelente escolha — digo. — O T-Rex é basicamente um CEO do mundo dos dinossauros.

Leo olha para Gabriel.

— Pai… você é um T-Rex?

Eu coloco a mão na boca para não rir.

Gabriel suspira.

— Acho que fui insultado e promovido ao mesmo tempo.

— Promovido? — pergunto.

— T-Rex é o predador no topo da cadeia alimentar.

Eu engulo em seco, mas levo na esportiva:

— Faz sentido. Você definitivamente tem cara de quem devora concorrentes no café da manhã.

Leo gargalha.

Gabriel me lança um olhar lento, avaliador.

— Cuidado, Ana Clara.

— Com o quê?

Ele dá um pequeno passo na minha direção.

— Predadores também sabem morder.

Meu estômago faz uma pequena pirueta.

Leo, completamente alheio à tensão entre nós, continua tagarelando.

— Ana Clara! A gente pode pintar agora?

Eu me ajoelho na frente dele.

— Claro. Mas primeiro precisamos de tinta.

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