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Esposa Temporária:Ele me vê como um nada, mas precisa de mim romance Capítulo 11

Minhas mãos tremem enquanto entrego as chaves do meu velho Fiat Uno e a alça da minha mala surrada. A forma como ele diz “sua condição anterior” me atinge, mas há uma estranha ausência de escárnio em sua voz, apenas um pragmatismo frio. Ele não está me humilhando, está apenas… constatando um fato, como se eu fosse uma peça em um tabuleiro de xadrez que precisa ser ajustada. A menção de um “novo carro” e “tudo o que precisar” me deixa em choque. Ele não está apenas me tirando o que tenho, está me dando algo em troca, algo que eu jamais poderia sonhar. É uma troca desigual, mas uma troca, ainda assim. A dignidade ferida se mistura com uma pontada de alívio e uma curiosidade perigosa sobre o que mais ele tem em mente para essa “integração”.

Marta me guia por outro corredor, e a cada passo, sinto o peso da minha nova realidade. Este não é o meu mundo. Mas por um ano, será.

Marta me guia pela casa e me mostra o quarto. Ele é espaçoso, com uma cama king-size, uma varanda privativa e uma vista deslumbrante para o jardim. As cores são neutras, elegantes, mas sem personalidade. É um quarto de hotel de luxo, bonito, mas impessoal. Sinto falta das minhas paredes coloridas, da bagunça criativa do meu ateliê improvisado.

Eu me aproximo da janela. O sol brilha, e o jardim lá embaixo parece um oásis de paz. Consigo ver uma pequena área com árvores frutíferas, e um banco de pedra escondido entre os arbustos. Talvez eu possa encontrar um pouco de inspiração ali. Talvez eu possa pintar. A ideia me traz um pequeno conforto.

Meus pincéis e telas?

Droga!

Ele vai ter que me providenciar isso!

Sinto um vazio, uma sensação de deslocamento. Sou Ana Clara Duarte, a artista, a confeiteira, a mulher que luta para sobreviver. Mas aqui, nesta mansão, quem sou eu? A esposa de contrato? A figura materna de Leo? Ou apenas uma sombra, uma farsa?

Decido explorar um pouco a casa. Marta me disse que eu poderia me sentir à vontade, e eu pretendo fazer exatamente isso. Caminho pelos corredores, observando cada detalhe. A biblioteca, com suas estantes repletas de livros. A sala de jantar, com uma mesa que poderia acomodar uma dúzia de pessoas. A cozinha, moderna e equipada, mas estranhamente silenciosa, sem o burburinho familiar da minha própria cozinha.

Encontro uma porta que leva ao jardim. Saio para o ar fresco, sentindo o sol em meu rosto. Caminho pelos canteiros de flores, admirando a beleza e a perfeição de cada planta. É um lugar lindo, sem dúvida. Mas falta algo.

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