Pov Ana Clara
Três dias. Apenas três dias se passaram desde que apertei a mão de Gabriel Monteiro, selando o acordo que mudaria minha vida para sempre. Três dias que pareceram uma eternidade, preenchidos com a burocracia fria dos advogados, a assinatura de papéis que mal compreendia e a sensação constante de estar flutuando em um sonho estranho, prestes a acordar. Mas o sonho é real. E agora, estou parada diante de um portão de ferro forjado, tão alto e imponente quanto o homem que me espera do outro lado.
A mansão. É ainda maior do que eu imaginava, uma estrutura de pedra e vidro que se estende por um terreno vasto, cercado por jardins impecáveis. Minha pequena casa, com suas paredes descascadas e seu jardim selvagem, parece um brinquedo esquecido em comparação. O Fiat Uno, meu fiel companheiro de tantas batalhas, parece ainda menor e mais deslocado estacionado na frente daquele monumento ao luxo. O cheiro de grama recém-cortada e flores exóticas preenche o ar, um contraste gritante com o cheiro familiar de tinta e baunilha que deixei para trás.
Respiro fundo, tentando acalmar o nervosismo que me revira o estômago. Não é medo, exatamente. É mais uma mistura de apreensão e uma curiosidade quase infantil. O que me espera lá dentro? Como será viver em um mundo tão diferente do meu? Serei uma intrusa, uma peça fora do lugar, ou conseguirei encontrar meu próprio espaço neste universo de Gabriel Monteiro?
O portão se abre com um zumbido suave, revelando uma longa alameda ladeada por árvores centenárias. Dirijo lentamente, cada metro me afastando mais da minha antiga vida. A casa surge à medida que me aproximo, e percebo que, ao contrário do que imaginei, ela é térrea. Não há escadas imponentes para subir, apenas uma fachada elegante e convidativa, com janelas amplas que refletem o céu azul. Uma pequena surpresa, um detalhe que, por algum motivo, me acalma um pouco.
Estaciono o carro ao lado de um SUV preto, idêntico ao que Gabriel dirigia no dia do acidente. Desligo o motor, e o silêncio que se segue é quase ensurdecedor. Não há o barulho familiar do trânsito, nem o latido dos cachorros da vizinhança. Apenas o canto distante de alguns pássaros e o sussurro do vento nas árvores. É um silêncio que me faz sentir pequena, insignificante.
Saio do carro, pegando minha pequena mala. É tudo o que trouxe. Minhas roupas, meus pincéis, algumas telas em branco e um porta-retrato com a foto da minha mãe. O resto, as contas, as preocupações, as memórias dolorosas, ficaram para trás. Ou pelo menos, é o que tento acreditar.
A porta principal se abre antes que eu possa sequer tocar a campainha. Uma mulher de uniforme impecável, com um sorriso gentil, me recebe. Seus olhos são calorosos, mas também carregam uma ponta de curiosidade, como se estivesse me avaliando. Ela é a governanta, suponho. Mais uma peça neste quebra-cabeça de luxo e formalidade.
— Senhorita Duarte, seja bem-vinda. O senhor Monteiro a aguarda na sala de estar — ela diz, a voz suave e profissional. — Meu nome é Marta. Se precisar de algo, por favor, não hesite em me chamar.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Esposa Temporária:Ele me vê como um nada, mas precisa de mim