Não tenha medo.
Foram apenas três palavras, curtas e simples, mas que envolveram Zuleica em um calor acolhedor que ela jamais havia experimentado em toda a sua vida.
Como ela poderia imaginar que a pessoa que lhe diria essas palavras — a única que se colocaria na sua frente para protegê-la — seria justamente alguém que ela, no passado, havia ajudado a machucar?
As novas lágrimas que escorriam pelo rosto de Zuleica não eram mais por causa do tapa de Carlos ou por suas palavras cruéis.
Elas caíam unicamente pelas palavras de Naiara.
Carlos ficou atônito ao ver Afonso ali. O choque durou apenas uma fração de segundo antes de sua máscara de arrogância voltar ao lugar.
— O Sr. Afonso agora tem o hábito de ouvir a conversa dos outros atrás da porta?
Os olhos de Afonso eram como poços de tinta negra, insondáveis e frios. Sua voz saiu no mesmo ritmo letárgico de sempre.
— O Sr. Lucca é muito rápido em inventar crimes para os outros. Estamos em um espaço público. Que porta?
Uma sombra espessa cobriu o rosto de Carlos.
Ele queria manter a compostura na frente do seu maior rival. Mas suas emoções estavam à flor da pele, e ele simplesmente desistiu de tentar se controlar.
— O senhor não ouviu o que eu disse? Eu mandei esvaziar o salão!
Afonso respondeu com um tom indiferente, quase entediado:
— Até o dia de hoje, não nasceu ninguém capaz de me obrigar a esvaziar um lugar. O Sr. Lucca tem uma opinião muito elevada sobre si mesmo.
A expressão de Carlos congelou.
— Sr. Afonso, nós temos um acordo implícito de não interferência. Não há motivo para o senhor forçar um atrito onde não deve.
— Me parece que é o Sr. Lucca quem está forçando atritos o tempo todo.
— Quando foi que eu te forcei a algo?
— A mim, nunca. Mas você está assediando a minha amiga.
Amiga?
Carlos riu, achando que havia ouvido a maior piada do século.
— O senhor está dizendo que ela é sua amiga? — O sarcasmo pingava de cada sílaba. — O padrão do Sr. Afonso para amizades despencou tanto assim? Por acaso o senhor sabe o que ela faz da vida?
Zuleica sentiu um calafrio violento percorrer seu corpo.
Esse era o homem que ela havia amado incondicionalmente por três anos...
Ao mesmo tempo, ela estava completamente chocada. O poderoso Sr. Afonso Xavier a havia chamado de amiga?
Mas Zuleica não era burra. Sabia perfeitamente que Afonso só havia dito aquilo por causa de Naiara. Era preciso um nível absurdo de devoção para que um homem protegesse cegamente até as pessoas ao redor da mulher que amava.
Afonso curvou levemente os lábios, em um sorriso cortante.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...