Belmira fingiu que tinha voltado para o quarto.
Foi Leonardo quem abriu a porta.
— Padrinho! — Naiara balançou as sacolas nas mãos. — Olha o que eu trouxe de gostoso para vocês! Os pãezinhos recheados da Felícia!
Leonardo pegou as sacolas: — Dizem que os pãezinhos da Felícia são uma obra-prima. Hoje tiramos a sorte grande.
Naiara olhou em volta.
— Cadê a madrinha?
Leonardo prendeu o riso: — No quarto. Não está de bom humor.
Naiara segurou no braço dele, fazendo um charme: — Padrinho, ontem eu deixei a madrinha triste. Você não pode me ajudar a falar com ela?
Leonardo fingiu estar bravo.
— Falando nisso, eu também estou chateado. E não é só chateação, é tristeza também. Você não nos considera como sua família.
— Como não? Eu sempre considerei você e a madrinha como minha família, como se fossem meus pais de verdade.
— Então por que ia embora de Rio Belo?
— Aquele dia foi só no calor do momento, falei da boca para fora.
Ela não esperava que uma certa pessoa fosse escutar.
E mesmo que tivesse escutado, precisava ter espalhado para todo mundo?
Agora ela tinha virado o alvo de todos.
— Sua madrinha está no quarto. Vá lá e a console direito. — disse Leonardo.
— Tá bom.
Naiara bateu na porta do quarto.
Sem resposta.
— Madrinha, vou entrar. — avisou Naiara.
Belmira estava deitada na cama. Ao ver Naiara entrar, virou-se de costas propositalmente.
Naiara tirou os sapatos e o casaco, subiu na cama e se aproximou dela com um sorriso bajulador.
— Madrinha, ainda está brava? Eu errei, tá bom?
Belmira virou-se de costas novamente: — Não ouso ficar brava com a Vice-Presidente Naiara.
— Ah, para com isso. — Naiara se debruçou sobre ela. — Eu só falei da boca para fora, acha mesmo que eu iria abandonar vocês? Eu prometo que nunca mais vou falar esse tipo de coisa, nem vou ter a ideia de ir embora.
— Por favorzinho, madrinha, não fique mais brava.
— Ah, já está comprado. — Naiara tirou o colar da caixa e, enquanto o colocava no pescoço de Belmira, disse: — Se a senhora não aceitar, significa que não me perdoou. Vim o caminho todo preocupada. E se minha madrinha não me perdoar? E se não quiser mais falar comigo? Eu ia ficar sem mãe de novo?
O coração de Belmira derreteu na mesma hora.
— Eu não tenho nem tempo de te dar todo o carinho que queria, como acha que eu teria coragem de não falar mais com você?
Naiara a abraçou, com os olhos brilhantes, num tom meio manhoso e meio provocador.
— Mas ontem a senhora foi tão dura comigo, quase morri de susto. O bebê na minha barriga também se assustou.
Belmira se apressou em justificar.
— Eu bem que disse para não...
Naiara soltou o abraço, com um sorriso cheio de duplo sentido.
— Disse para não o quê?
Belmira tossiu disfarçadamente.
— Nada.
Os olhos de Naiara se curvaram num sorriso astuto.
— Disse que não devia ter dado ouvidos a uma certa pessoa e encenado tudo aquilo para me enganar, não foi, madrinha?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...