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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 682

Qualquer um que não fosse idiota perceberia que as palavras de Carlos Lucca, na verdade, eram direcionadas a Naiara. E ela, naturalmente, não era idiota; ouviu tudo com absoluta clareza.

A única forma de não cair na armadilha de Carlos era fingir total indiferença. Felizmente, não foi tão difícil quanto imaginava. Bastava convencer a si mesma.

A conversa aparentemente harmoniosa escondia correntes traiçoeiras. Provavelmente, apenas Isabella, que estava de fora daquela teia, nutria pensamentos mais simples.

— Já que nos encontramos, que tal jantarmos todos juntos? — sugeriu Isabella, com sua doçura habitual.

Carlos, é claro, estava mais do que disposto.

— Por mim, sem problemas. Só não sei se o Sr. Afonso e a Sra. Naiara nos dariam a honra.

— Não tenho tempo — cortou Afonso, com o olhar sombrio e a voz concisa.

Aquela resposta pegou Isabella de surpresa. Em sua memória, Afonso jamais rejeitava alguém de forma tão direta e impiedosa.

Carlos não se ofendeu; pelo contrário, sorriu e virou-se para Naiara.

— E a Sra. Naiara?

Naiara mal abriu a boca para responder, e Afonso já se adiantou:

— A Sra. Naiara também não tem tempo.

Carlos deu uma risada provocativa.

— O Sr. Afonso controla seus funcionários com tanto rigor assim?

— Temos um jantar da empresa hoje à noite — retrucou Afonso, com frieza. — A presença dos funcionários é obrigatória.

Naiara piscou, confusa. Existia essa regra? Como ela não sabia de nada?

O sorriso de Carlos diminuiu alguns graus, mas ele manteve a polidez básica. Era inegável que ele estava diferente do que costumava ser no passado.

— Sr. Carlos! — A voz firme e ressonante de Gualter ecoou antes mesmo de ele se aproximar.

Ao chegar, ele fez questão de se posicionar ao lado de Naiara.

— Tem namorada e ainda vem rezar por bênçãos amorosas?

Carlos franziu a testa ligeiramente.

Naiara já não conseguia sequer forçar um sorriso.

— Com licença, a todos.

Com a partida de Naiara, Carlos também perdeu o interesse em ficar.

— Sr. Afonso, Srta. Isabella. Até logo.

Isabella olhou de um lado para o outro, observando as costas dos dois ex-cônjuges se afastando, e sentiu um certo arrependimento falso.

— Eu não deveria ter sugerido o jantar. Tive um branco, esqueci que eles já foram casados. Mas eu jamais imaginaria que a Srta. Naiara tinha sofrido tanto na família Lucca a ponto de ser expulsa... Afonso...

O homem franziu a testa, parecendo extremamente exausto. Não era cansaço físico. Era na alma.

Longe dali, com o silêncio finalmente restaurado, o peito de Naiara ficou mais leve. Ela percebia cada vez mais que Gualter era um tesouro que havia encontrado. Ele a defendia, quebrava o clima constrangedor e, embora fosse mais novo, muitas vezes agia como um irmão mais velho protegendo a caçula.

— Gualter — chamou ela.

Ele parou ao seu lado, encostando-se na grade de proteção da montanha.

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