— Não estou cansada, passei a viagem toda dormindo. — respondeu Naiara.
— Quero dizer... não cansa ter que falar comigo desse jeito?
Naiara sentiu um pontada de culpa.
— É que eu tenho medo do que os colegas...
— Acha que eles são burros? — Afonso sorriu gentilmente. — Eles são a elite da empresa. Não têm nada de ingênuos.
Só fingiam não saber de nada.
Naiara ficou morta de vergonha. Isadora tinha razão; ela estava apenas enganando a si mesma.
O ônibus chegou ao destino.
Quitéria pegou sua mala e foi até a recepção cuidar do check-in.
Naiara cutucou Gualter.
— Vá lá ajudar a garota.
Gualter recusou na lata:
— Não vou.
Naiara revirou os olhos.
— É só uma gentileza entre colegas de trabalho!
— Não vou. Manda o José.
— E você ainda tem coragem de cobrar um mês de café da manhã dela?
— Não vou cobrar mais.
Naiara ficou sem palavras. Aquele sujeito não tinha jeito!
José, sempre prestativo, correu para ajudar Quitéria.
Afonso notou a movimentação.
— Brincando de cúpido?
Naiara fez um bico de frustração.
— Minha primeira vez como cúpido, e já foi um fracasso.
Afonso sorriu com indulgência.
Quitéria se aproximou e entregou um cartão de acesso para Naiara.
— Sra. Naiara, aqui está a chave do seu quarto. É um quarto individual.
Naiara pareceu surpresa.
— Você não vai dividir o quarto comigo?
— O Sr. Afonso disse que seria inconveniente para você, então pediu para reservar um quarto separado.
Naiara pegou o cartão em silêncio.
Como não havia estranhos por perto, Gualter aproveitou para falar o que pensava:
— King, eu também quero um quarto só para mim.
Afonso o ignorou completamente. Além de Naiara, o próprio Afonso, como grande financiador da viagem, também tinha direito a um quarto exclusivo.
— King, cede o seu quarto para mim. Eu fico sozinho.
José não aguentou e caiu na gargalhada.
— E aí, onde você quer que o nosso chefe durma?
— Ah, o King sabe muito bem onde ele quer dormir. — insinuou Gualter.
— Intrometida.
Quitéria mordeu o lábio, abaixou a cabeça e não disse mais nada.
Naiara perdeu a paciência, esticou a mão e deu um beliscão dolorido em Gualter.
— King, você não vai controlar a sua mulher?! — reclamou Gualter, se encolhendo.
José riu com gosto.
— Pedindo para o chefe controlar a Sra. Naiara? O chefe é capaz de entregar a faca na mão dela.
Naiara puxou Quitéria para o seu lado.
— Deixa ele comigo, eu vou te vingar!
Sentindo que um beliscão não era o bastante, ela acertou um chute em Gualter.
Ele desviou rapidamente e usou Afonso como escudo humano.
Os dois começaram a correr ao redor de Afonso. Temendo que Naiara se machucasse, Afonso manteve os braços estendidos, protegendo-a. No fim, ele simplesmente segurou Gualter pelo colarinho, deixando Naiara distribuir os tapas que queria.
José assistia à cena, sorridente.
Era tão bom. Se o jovem mestre pudesse ser sempre tão feliz assim, tudo seria perfeito.
— Afonso.
Uma voz feminina e desconhecida cortou a agitação.
Todos pararam de se mover e se viraram em direção ao som.
Bastou um olhar para entender o significado da expressão "beleza aristocrática". A mulher tinha o rosto perfeitamente esculpido, a pele impecável com um leve rubor, e olhos amendoados que pareciam brilhar. Seus traços eram requintados e marcantes, como os de uma boneca de porcelana com descendência estrangeira. O sorriso que adornava seus lábios era radiante, sensual e arrebatador.
No íntimo, Naiara soltou um suspiro resignado.
Ela... finalmente havia chegado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...