Os dois caminharam juntos até o estacionamento.
Carlos abriu a porta do passageiro do próprio carro e retirou uma caixa.
— Você ainda não me disse, o que tem aqui dentro?
Como estava trancada com cadeado, Carlos não havia conseguido abrir.
Naiara respondeu com sinceridade:
— Medalhas, diplomas e alguns prêmios que ganhei na época da escola e da faculdade.
Carlos deu uma risada autodepreciativa.
— No fim das contas, não fui só eu. A sua mãe adotiva, Luciana, é outra que nunca soube dar valor ao que tinha diante dos olhos.
— É raro ouvir você se depreciar assim. — comentou Naiara.
— É raro eu admitir que errei, não é?
— Sem dúvida.
Naiara destravou o porta-malas de seu carro.
Carlos colocou a caixa lá dentro.
Naiara fez menção de arrumar o restante das coisas no bagageiro, mas quando Carlos deu um passo para trás, quase pisou no pé dela.
Instintivamente, ela tentou desviar, mas desequilibrou e quase caiu.
Carlos a segurou pelo braço.
— Você está bem?
Naiara puxou o braço rapidamente.
— Estou, obrigada.
Carlos sorriu de lado.
— Para ser sincero, ouvir esse seu 'obrigada' me deixa bastante desconfortável.
Naiara não disse nada.
— Você tem um compromisso. Pode ir na frente. — concluiu ele.
Naiara não prolongou a conversa.
— Adeus.
— Adeus.
Enquanto via o carro de Carlos se afastar, Naiara soltou um suspiro de alívio involuntário.
Esse novo jeito de Carlos, polido e contido, a pegou desprevenida. Ela quase não soube como reagir.
Quando se virou para entrar no próprio carro, congelou ao levantar a cabeça.
Afonso caminhava na sua direção, acompanhado por um homem de meia-idade que ela não conhecia.
Ao se aproximarem, Naiara murmurou de forma contida:
— Sr. Afonso.
Naiara ficou em silêncio...
O que foi isso?
Ele estava com raiva?
Ela o observou se afastar, mas não foi atrás dele. Em vez disso, pegou o celular e ligou para Zuleica.
— Ele concordou.
Zuleica soltou um longo suspiro de alívio, embora sua voz carregasse uma emoção complexa.
— Eu sabia. Ele só ouve você.
— Eu só fiz isso por consideração a você. — enfatizou Naiara.
— Eu sei. Por isso, serei eternamente grata.
Houve um breve silêncio na linha, antes de Naiara continuar:
— Só que, no momento, não sei o que fazer ou para onde mandar a criança.
— Eu tenho uma amiga... — disse Zuleica, prontamente. — Os médicos já deram o veredito definitivo de que ela nunca poderá engravidar. Ela sempre sonhou em adotar um bebê e, logo depois da adoção, planeja se mudar para o exterior. Ela nunca mais pisará no Brasil. Pensei em entregar a criança para ela.
— Parece uma ótima ideia. Resolva os detalhes diretamente com ela, então.
Após desligar, o dedo de Naiara pairou sobre o nome "Afonso" em seus contatos.
No fim, ela bloqueou a tela do celular. Guardou o aparelho, virou-se e foi embora.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...