Meia hora depois, Carlos apareceu no Jardim das Ametistas.
O motivo pelo qual Naiara havia escolhido aquele local era simples: as salas privativas possuíam isolamento acústico impecável e ofereciam privacidade absoluta.
Afinal, o assunto que trataria com Carlos não era dos mais agradáveis.
Carlos entrou vestindo um terno impecável. Ele tinha o porte físico perfeito, qualquer roupa lhe caía bem. O problema era que ele estava tão acostumado a viver no topo que há muito havia esquecido o que era a vida real, exalando sempre um ar de superioridade e arrogância.
Agora que tinha o controle total do império da família Lucca e da família Fontana, seu poder e influência eram absolutos. Era natural que estivesse ainda mais imponente.
No entanto, diante de Naiara, Carlos desarmou toda a sua arrogância.
Naiara percebeu isso de imediato.
Ele estava deliberadamente tentando mostrar um lado mais gentil e compreensivo.
— Como você resolveu me chamar para tomar um chá tão de repente? Não me diga que foi só para pegar aquela caixa de coisas? — perguntou ele, sentando-se do outro lado da mesa.
Naiara olhou para as mãos vazias dele.
— Não trouxe?
— Está no carro. Daqui a pouco descemos juntos e eu coloco no seu porta-malas. A caixa está um pouco pesada, e sei que você não pode fazer esforço agora.
Ate que ele foi atencioso.
Sem demonstrar qualquer emoção, Naiara empurrou uma xícara de chá na direção dele.
Carlos sorriu.
— Desse jeito, confesso que até estranho. Já tinha me acostumado com você me olhando com essa cara fria, me mantendo a quilômetros de distância.
Naiara deu um sorriso contido.
— Você é realmente...
— Um masoquista? — Carlos deu um gole no chá. — Era isso que ia dizer, não era?
— Foi você quem disse.
— Mas foi o que você pensou. E tudo bem, você não deixa de ter razão. Do jeito que estou agindo, realmente parece coisa de masoquista. Mas o que eu posso fazer? É você quem domina os meus pensamentos agora.
— Se eu nunca tivesse descoberto aquele teste de DNA verdadeiro, eu viveria com um par de chifres na cabeça para o resto da vida. A família Fontana me manteria preso através dessa criança, e o Wilson aproveitaria a oportunidade para roubar o império da família Lucca. Por favor, Naiara, você já tentou se colocar no meu lugar? A criança é digna de pena? E eu? Eu não sou?
— Você foi traído, mas agora já conseguiu tudo o que queria. As pessoas que te machucaram já estão pagando o preço. O bebê é inocente.
— Mas ele carrega o sangue da família Fontana. Deixá-lo vivo é a maior ameaça à minha paz.
— Ele não representa ameaça nenhuma. Você pode mandá-lo para longe, muito longe. Desde que ele não esteja perto de você, nunca saberá sobre a própria origem e jamais será um perigo.
Carlos ficou em silêncio por alguns segundos.
— Você parece se importar muito com ele.
Naiara abaixou levemente os olhos. Sua voz soou firme, sem pressa:
— As pessoas cometem erros. Mas não se pode errar repetidamente. Quando o erro vai longe demais, não há mais como voltar atrás.
Carlos paralisou.
— Você está se importando... comigo?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...