No segundo seguinte, Naiara foi envolvida por braços fortes e largos.
O maxilar bem desenhado do homem encostou nos cabelos dela, e o perfume inconfundível que emanava dele preencheu seus sentidos, fazendo com que seu corpo, aos poucos, perdesse a tensão.
Afonso enxugava as lágrimas dela delicadamente enquanto perguntava:
— Você pode me contar por que está chorando?
Quando ela chorava, o coração dele sempre se partia.
Eles dizem que entre pessoas que se amam, a emoção é contagiante. As alegrias, as tristezas, a dor e o sorriso dela eram os dele também.
A mente de Naiara estava um caos, seus pensamentos emaranhados.
Ela nem sabia ao certo o motivo de tanto choro. Só sabia que se sentia profundamente triste, injustiçada e, até certo ponto, com muita vergonha de encará-lo...
— É porque as palavras da Isadora te machucaram? — O tom dele era gentil e cheio de paciência. — Ou é porque você usou o meu sêmen congelado por engano para a inseminação artificial e escondeu de mim esse tempo todo?
Naiara parou de chorar e puxou o ar profundamente.
— Os dois.
Afonso respondeu: — Se for o primeiro, não há necessidade. Chorar por alguém que te machuca é a coisa menos valiosa do mundo. Uma mulher inteligente e racional como você entende isso melhor do que eu.
As palavras de Naiara ficaram presas na garganta, e ela soltou um ruído abafado, parecendo uma gatinha ferida.
Até o homem mais implacável se derreteria com aquela cena.
A voz de Afonso soou ainda mais suave, como se temesse assustar a gatinha nos seus braços.
— Mas se for pelo segundo motivo, você deveria chorar menos ainda.
Naiara fungou, a voz carregada de lamúria.
— Por quê?
— Porque eu já sabia.
Naiara congelou. Ficou em estado de choque por um tempo antes de se afastar do abraço e encará-lo, incrédula.
— Você já sabia? Desde quando? Como é possível...?
Os dedos longos e firmes dele limparam os últimos resquícios de lágrimas em seu rosto, acompanhados de um sorriso caloroso e brilhante.
— Se você usar a palavra 'palhaça', eu vou ficar muito chateado. Eu posso acabar chorando também, e se nós dois começarmos a chorar aqui, a situação vai sair do controle.
Mesmo com o coração ainda machucado, Naiara não conseguiu segurar um leve sorriso.
Ela deu um soquinho de leve no peito dele.
— Por que eu, uma gênia da computação, pareço uma idiota perto de você?! Que raiva!
Afonso sorriu de canto.
— Na computação, você é realmente uma gênia, mas em outras coisas... você é mesmo uma bobinha.
De repente, as ofensas que Isadora tinha jogado contra Afonso invadiram a mente de Naiara, e a tristeza ameaçou voltar.
— Não leve a sério as coisas que ela te disse. Quando as pessoas estão cegas de raiva, elas falam absurdos sem nem perceberem.
Os olhos escuros do homem ganharam uma sombra perceptível.
— O que ela disse não foi completamente mentira...
Naiara não suportou ver o brilho daquele olhar ser engolido pela tristeza. Ajustando a própria postura emocional, ela segurou a mão dele com firmeza.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...