— É parecido com o tio.
— E com o que ele trabalha?
— Um trabalho parecido com o do tio também.
— Ele é uma pessoa boa ou má?
— Não é mau... mas também não é totalmente bom.
— Então por que ele não está com a tia? Eu nunca vi esse tio, e a tia nunca fala dele. Por que, hein?
— É porque...
Pela primeira vez na vida, Afonso sentiu a frustração de não ter palavras.
— Sobre o que vocês estão cochichando?
O surgimento de Naiara fez Afonso suspirar de alívio secretamente.
— A madrinha já pegou o carro?
— Sim, já foi.
Afonso olhou para o casaco desabotoado dela e franziu levemente a testa.
— De agora em diante, abotoe bem o casaco quando sair. O clima está esfriando cada vez mais, e como sua saúde é delicada, é fácil pegar um resfriado.
— Está bem.
Quando Naiara se virou, Natália estava com um sorriso largo no rosto.
Ela se aproximou sorrindo.
— Qual é a graça, espertinha? Por que está tão feliz?
Natália apenas balançou a cabeça.
Ela não ousaria dizer de novo que o tio e a tia formavam um casal perfeito; senão, levaria bronca da tia outra vez.
Nesse momento, Fábio enviou uma mensagem confirmando o horário e o local do jantar.
Assim que saíram do hospital, Naiara e Afonso seguiram direto para lá.
Eles chegaram meia hora mais cedo, mas, para a surpresa de ambos, Fábio já estava lá esperando.
Em apenas alguns dias sem se verem, Fábio parecia visivelmente abatido.
Naiara tirou o casaco, e Afonso, por puro hábito, o pegou de suas mãos, entregando-o ao garçom junto com o seu para ser pendurado.
— Não fale bobagens de cabeça quente. Afinal, a culpa de tudo isso ter acontecido é sua.
Fábio, que já estava remoendo a própria raiva, acabou perdendo o controle do tom de voz.
— E o que você quer que eu faça?! Eu detesto, porra, gente que se recusa a resolver as coisas cara a cara e fica fazendo esse drama todo! Para quem ela está fazendo essa ceninha?! Eu é que não vou mais ficar passando a mão na cabeça dela! Que palhaçada!
Naiara estava prestes a intervir quando seu olhar congelou. Seu coração deu um salto.
Mas Fábio continuou esbravejando.
— Sim! Essa confusão toda começou por minha causa. Mas acha que foi de propósito? Eu também sou a vítima dessa história, sabia?! Eu também estou com um ódio entalado na garganta e não tenho em quem descontar!
— Fábio...
Naiara tentou avisá-lo com o olhar.
Mas, cegado pela raiva, Fábio não percebeu nada.
— Só ela tem o direito de ficar com raivinha? Eu não tenho? Eu já disse que posso me casar com ela. O que mais ela quer?! Do jeito que ela é, além de mim, qual herdeiro de boa família teria coragem de casar com ela?! Eu dou...
Um copo de água gelada foi atirado diretamente no rosto de Fábio.
O resto da frase morreu em sua garganta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...