— O que foi? — Isadora perguntou.
Naiara hesitou por um momento, mas por fim decidiu dar o conselho.
— É melhor você ligar para o Fábio. Se ainda valoriza a amizade que vocês tinham.
O tempo que durou o fim da ligação foi o tempo que Isadora passou paralisada, encarando o nada.
Estava num dilema. Ligar ou não ligar para o Fábio?
Se ligasse, seu orgulho ficaria ferido. Afinal, ele tinha mandado ela sumir da frente dele e dito que nunca mais queria olhar na sua cara.
Mas, se não ligasse... ela sabia que o problema ali havia sido inteiramente culpa dela. Tinha sido sensível demais e descarregado todas as suas frustrações nele.
E além do mais, quando Fábio estava fingindo ser seu namorado, mesmo sabendo que era tudo teatro, ele sempre tratara os pais dela com o maior respeito.
Enquanto isso.
Fábio estava ajoelhado na capela da família, pescando de tanto sono, quando o toque repentino do celular o fez despertar no susto.
Ele pegou o aparelho resmungando e, ao ver o nome na tela, teve um impulso quase incontrolável de rejeitar a chamada.
Mas pensou melhor e atendeu.
O tom de voz, no entanto, passou longe de ser amigável.
— Que foi?!
Isadora já estava preparada para engolir qualquer sapo sem revidar.
— Fábio, eu...
Fábio mexeu as pernas dormentes. — Que foi?! Quer me usar de saco de pancadas de novo?
Isadora cerrou os dentes.
— Desculpa!
Fábio travou.
— Como é que é?
Isadora aumentou o tom de voz e repetiu:
— Desculpa!
Fábio estava de péssimo humor, mas ao ouvir aquela palavra mágica, seu lado debochado assumiu o controle.
— Olha só! E eu aqui achando estranho os passarinhos cantando à toa na minha janela hoje de manhã... Pelo visto, o milagre aconteceu mesmo! Quem diria que a grande Srta. Isadora sabe pedir desculpas.
Isadora fez um bico do outro lado da linha. — Ah, não enche. Eu já pedi desculpas, facilita as coisas pra mim e aceita de uma vez.
— E quando eu facilitei pra você, você aceitou? Ainda me fez passar vergonha na frente de todo mundo.
— Eu... na hora eu fiquei com medo de que você fosse...
Isadora já estava impaciente. — O que foi que rolou? Eu lembro que você voltou pra casa porque seu pai tava doente. Não me diga que...
Mesmo que o pai dele tivesse piorado, que sentido fazia colocar o Fábio ajoelhado de castigo?
Fábio bufou.
— Doença foi só uma desculpa esfarrapada pra me arrastar de volta.
— Quê?
— Fizeram eu voltar pra me casar.
— Quê?!
Fábio revirou os olhos. — Você não sabe falar outra coisa?
Isadora teve uma súbita vontade de rir. — Vai ver seu pai quer segurar um neto logo. E você já não é nenhum garoto, tá na hora de casar mesmo. Quem é a noiva? Se for uma moça legal, casa ué. Pra você, o grande Sr. Fábio, nada parece importar tanto assim mesmo.
— A herdeira da família Esteves... eu definitivamente não tenho estômago pra ela.
Mimada, arrogante e grudenta como um chiclete.
Ainda vinha com aquele papo de "amor à primeira vista".
Até parece que ele ia engolir essa história de amor à primeira vista!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...